É muito comum que o meu niilismo me faça indiferente ao sofrimento alheio.Talvez não seja egoísmo da minha parte. Eu mesmo não me preocupo com os sofrimentos que posso possuir. Pensando bem, talvez eu simplesmente tenha dificuldade de sofrer. Não é possível ser indiferente ao sofrimento, provavelmente eu só tenha dificuldade de sofrer por ser indiferente. Isso, entretanto, não faz com que eu não faça o melhor pelas pessoas que vivem ao meu redor. Me parece que possuo, sim, uma ideia do que seja "melhor" para mim e alguma empatia. No fim das contas, eu sei que o "melhor" não existe. A ilusão não se limita à religião. O naturalismo é escravo dela também. Sou vegetariano há 4 anos e nunca constrangi ninguém a ele. Na verdade, nunca pedi para alguém se tornar vegetariano. Também não acho que o fato de eu não comer carne irá fazer o mundo mudar. Animais não deixarão de morrer porque eu não como carne. O que costumo ver por aí é uma cultura da culpa. Como uma pessoa pode achar errado comer carne animal? Ela "deveria" ver erro é em matá-lo para comer. Se um dia eu e minha esposa nos perdêssemos no deserto e eu morresse primeiro, não me sentiria ofendido se ela comesse o meu corpo para sobreviver. Eu já estaria morto mesmo. O motivo de alguém não comer carne deve ser minimizar o sofrimento, mas o vegetarianismo particular pode não garantir isso. Os açougues da minha cidade não irão falir por este motivo. Muitas pessoas encontram seu sustento na exploração de animais. Algumas forma de exploração são toleradas pela nossa sociedade e outras não são. Falar sobre o vegetarianismo ético é complicado. Eu não acredito que um ser humano seja mais importante do que qualquer outra espécie, entretanto, posso compreender que uma mãe opte por salvar o próprio filho em um incêndio onde só poderia optar por salvar uma criança. Todas as crianças não são iguais no fim das contas? Não teriam elas também mães apreensivas? Este egoísmo é natural, é uma questão de evolução, é sobrevivência Dificilmente alguém se sente obrigado a dar moradia a um sem-teto antes de descobrir que ele é seu parente. Esta questão de sangue é muito esquisita. Por que ver com mais estranheza alguém que não fala com o irmão do que alguém que não fala com os vizinhos, mesmo quando o relacionamento poderia ser prejudicial? Conheço vários vegetarianos "éticos" mal educados, que desrespeitam as pessoas. Acho isso "bizarro". O que não é "bizarro"? Todas as leis são bizarras. Assim como é "bizarro" ver problemas em machucar animais e não se importar em machucá-los para comer.
A posição que as coisas possuem no quadro valorativa é simplesmente subjetiva. O fato de determinados objetos terem certas semelhanças não quer dizer que eles possuam valores iguais, desde que este não seja um dos critérios para o quadro valorativo. Qualquer tipo de moralidade é arbitrária. A alegação de que negros e brancos são iguais se desenvolve a partir do sentimento de empatia, o mesmo princípio pode se tornar válido para os animais. A tendência humana é dar valor àquilo no qual ela é capaz de se ver. Este é o motivo de cuidarmos de animais, quanto mais "humanos" eles parecerem melhor, e não nos preocuparmos em atropelar pedras
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
Sobre O Encantador Mundo Do Universalismo
Considerando o senso comum o mais razoável é que Deus salve a todas as pessoas. Se uma casa estiver pegando fogo, o bombeiro realmente competente não irá se preocupar em resgatar apenas as boas pessoas. Nenhum bombeiro estuda o histórico da vítima para ver se deve ou não trabalhar. Não é uma questão de méritos, mas de misericórdia. Entretanto, salvar uma pessoa contra a sua própria vontade leva-nos a um outro questionamento. Apesar do cigarro fazer mal para o fumante, quem ousaria tirar-lhe o direito de fumar? Bem, nossos valores são contraditórios. Nós simplesmente tentamos harmonizá-los ao dar preferencia por algo. Talvez o principal problema do universalismo seja este. Vou um pouco além ainda. Se todas as crianças que morrem serão salvas, isso quer dizer que o direito que elas possuem de escolher é desrespeitado? Não necessariamente, pois pode-se apelar para o molinismo e dizer que Deus só permite que morram as crianças que o aceitariam. De qualquer forma, há a possibilidade de Deus convencer a todas as pessoas. O universalismo seria muito agradável, um final feliz de verdade.
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Sobre Uma Possível Teologia Pós-Liberal
Eu cheguei a um ponto em que a discussão entre calvinistas, arminianos, tomistas e outros grupos é uma total perda de tempo. Não questiono simplesmente a validade dos sistemas soteriológicos existentes, mas a própria necessidade de um sistema soteriológico. Este princípio vale para qualquer outra discussão teológica. A teologia deve fazer uso de ferramentas que estejam fora dela. Apelar para a Bíblia ou para a pessoa de Jesus, ignorando Sua figura histórica, é se basear em algo extremamente frágil. Eu posso tirar de Jesus o que admiro n'Ele, mas certo de que a minha admiração por certas coisas se limita simplesmente a uma opinião. No máximo, o que me resta é a crença de que n'Ele se encontra algum mistério, seja ele qual for. Nisso consiste o meu relativismo. É bem provável que se algum anjo me dissesse no céu que há um mundo onde Deus permite o sofrimento, que eu não acreditaria. Eu diria: Sofrimento? O que é isso? E após receber várias informações sobre este termo, eu diria não acreditar no que o anjo acabava de me falar. "Não, não é possível. Deus seria incapaz de permitir um absurdo destes. Este mundo certamente não existe, nem nada parecido." Bem, este mundo existe e eu estou nele. Não há melhor argumento do que este, não? Então, creio que estaria cometendo o mesmo erro se dissesse que o fato de Deus existir garanta que eu possa viver eternamente ou dizer que Ele seria incapaz de atormentar as pessoas no inferno. Se a morte deixou de ser banal, por que o inferno não poderia também?
Eu exijo a punição do Bin Laden não porque eu esteja certo de que ele não esteja fazendo a vontade de Deus ao mandar matar norteamericanos, mas porque não sou capaz de tolerar a sua forma de religiosidade. "Feliz aquele que pegar os seus filhos e os despedaçar contra a rocha!" Salmos 137. 9. Eu não estou dizendo que ele esteja certo ou errado, até porque não acredito em certo e errado, mas vou confrontá-lo onde nossos interesses se chocarem e eu não serei capaz de conviver com ele. Até porque eu preciso estar vivo para pensar em conviver.
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Eu exijo a punição do Bin Laden não porque eu esteja certo de que ele não esteja fazendo a vontade de Deus ao mandar matar norteamericanos, mas porque não sou capaz de tolerar a sua forma de religiosidade. "Feliz aquele que pegar os seus filhos e os despedaçar contra a rocha!" Salmos 137. 9. Eu não estou dizendo que ele esteja certo ou errado, até porque não acredito em certo e errado, mas vou confrontá-lo onde nossos interesses se chocarem e eu não serei capaz de conviver com ele. Até porque eu preciso estar vivo para pensar em conviver.
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Sobre A Vida E A Teologia Moderna
Pode-se dizer que eu estou convencido de que a vida humana é escrava da ausência de sentido. Mas isso não quer dizer que eu não esteja sujeito a estímulos. Eles, entretanto, não são mais do que isso. Não há estimulo que tenha em vista algum fim mais nobre, todos são angustiantemente iguais. Se um homem oferece uma bala em troca de uma mansão, provavelmente os interpretaremos como explorador e explorado. Entretanto, a bala e a mansão podem não possuir para eles o mesmo valor que possuiriam para nós. Talvez o homem ludibriado seja o que ofereceu a bala em troca da casa repleta de cômodos. Todas as pessoas fazem aquilo que lhes parece melhor fazer. Na verdade, elas só possuem ideias diferentes do que seria este melhor. Apenas na ausência de uma boa argumentação que elas se perdem. E perdem-se porque Deus se recusou a argumentar, ou não foi capaz de fazer isso. Todos possuem boas intenções. Dizem que o inferno está repleto de pessoas assim, mas em alguns casos uma boa conversa certamente daria asas a quem deseja nada mais do que o bem que se recusou a se revelar. O fato de eu ter feito coisas que eu não acho razoáveis hoje em dia não quer dizer que elas não tenham me parecido razoáveis em algum momento. É exatamente como pensavam os gregos, até Agostinho surgir com a ideia de sujeito acrático. O fiel servo de Alá só é um pagão porque pensa que Alá é o verdadeiro Deus e este se recusou a argumentar o necessário. Se não fosse isso, ele poderia ser o mais fervoroso dos cristãos. Parece-me ser este um argumento razoável contra o teísmo exclusivista e da punição. Tudo bem, estou blefando. Realmente parece absurdo que todos desejam o "bem". Eu reconheço isso, entretanto, é inegável que muitos possuem boas intenções.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Sonho Kafkiano
Se é melhor ser um homem do que ser um inseto? Eu só gosto de ser homem porque tenho os interesses de um homem. Se eu fosse uma barata, gostaria de continuar sendo uma barata. Se deveriam respeitar o meu direito de ser o que desejo ser, deveriam considerar também que eu não escolhi o que desejar escolher.
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Sobre Meu Relacionamento Com O Cristianismo
O problema do cristianismo é que ele dá mais valor à interpretação que Paulo, Agostinho, Tomás de Aquino e Plantinga fazem de Jesus do que à interpretação que Jesus faz de si mesmo. Meu relacionamento com ele é o de um rapaz apaixonado por uma garota que, apesar de morar ao lado, perece estar bem longe em alguns momentos. É o mesmo encantamento que tenho pelas fadas. Não acredito que existam, mas as amo sempre que posso vê-las dançando em minha mente. Não há regras em meu mundo particular, nem inconsistências filosóficas e teológicas, nem nada mais racional do que se apaixonar por fadas. Estas são uma ótima companhia. Elas só vão embora quando você vai embora. Eu sou um conjunto de pessoas, um número incontável de sociedades. Nem todos os que habitam em mim pensam da mesma forma. Os menos civilizados brigam pelo domínio da minha boca. Os mais maduros, entretanto, optam por permanecerem calados.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Sobre O Livre-Arbítrio E A Capacidade De Fazer "Males"
Eu, assim como a maioria das pessoas, me vejo incapaz de, sem razão aparente, arrancar o meu próprio braço e comê-lo. Ninguém, entretanto, acredita que o fato de alguém não ser capaz de ter relações sexuais com mortos, se jogar no fogo, comer fezes, beber urina, ou fazer muitas coisas que somos incapazes de fazer, seja uma agressão à nossa liberdade. Eu, por exemplo, não teria coragem de, sem razão alguma, amputar os meus próprios pés. Se Deus não está agredindo a minha liberdade para fazer escolhas e, mesmo assim, limita a minha capacidade de optar por profanar o meu próprio corpo, o "templo do Espírito Santo", isso pode valer para as demais coisas também. Se nós tivéssemos apenas desejos bons, como seria o caso de Deus, poderíamos usar a nossa liberdade para atender sempre a algum deles. Seríamos livres e bons, sem nenhum tipo de maldade.
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