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domingo, 30 de dezembro de 2012
Sobre Valores Estéticos
Todo valor estético é, de forma inelutável, por sua própria natureza, um juízo de valor e, portanto, é simplesmente subjetivo. A subjetividade, e não a objetividade, é o critério determinante para qualquer hierarquia valorativa. Geralmente a intersubjetividade acaba sendo bem enganosa quanto à esta questão ao propor uma aparente objetividade. O valor da raça humana é o mesmo de qualquer outra coisa que exista no universo. O que há na verdade é uma falsa ilusão, que habita em todas as raças animais, do contrário, elas estariam fortemente ameaçadas. Os vegetarianos éticos estão certos ao negarem o especismo, pois não há razão, além de nosso instinto, para crermos que o homem seja mais importante do que qualquer outro animal, entretanto, ignoram, muitas vezes, que também não é possível dizer que um ser pensante seja mais importante do que uma pedra. Se não há nenhum meio de se saber como um valor é objetivo, isso quer dizer que ele não é objetivo, do contrário, poderíamos concluir a sua objetidade. Inclusive, os meus critérios para determinar o que Deus torna "objetivo" são simplesmente subjetivos. A natureza criou meios de enganar o homem, mas o tornou tão inteligente que ele passou a perceber as sua armadilhas. E isso irá custar muito caro para ela.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
É Possível Ser Cristão Sem Guardar O Sábado?
Sim. É possível ser cristão sem guardar o sábado. Entretanto, tenho que reconhecer que o termo em questão é muito vago. Se definirmos "cristão" como aquele que faz toda a vontade de Jesus, que por sinal não era a Sua Vontade, mas a vontade de Seu Pai, teremos que reconhecer que estes praticamente não existem. Paulo, mesmo, não poderia ser considerado um cristão. Ele não fazia tudo o que Jesus fazia. A Igreja cristão, desde a sua origem, está repleta de divergências internas. Os cristãos, na verdade, até algum ponto acreditam em Jesus e em Sua mensagem. Não porque determinadas doutrinas sejam de Jesus necessariamente, mas porque em algum nível há um contato cultural e Jesus acaba sendo o Seu principal representante. Se, por exemplo, fossem encontrados documentos antigos e historicamente confiáveis dizendo que Jesus aconselhou a matar os descrentes, muitos cristãos se recusariam a fazer isso. Quando uma pessoa diz que um religioso, que também alega ser cristão, não é um cristão legítimo está simplesmente dizendo que ele não observa os mesmos preceitos ou que não possui uma escala de importância semelhante ao seu.
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Mulheres, Direitos Iguais E Proibições Idiotas
De acordo com os critérios bíblicos, os homens que tiram a camisa nestas circunstancias seriam uns pervertidos. Ideias como estas, entretanto, foram abandonadas pela nossa sociedade. Por que as mulheres não podem expor os seios onde os homens fazem o mesmo? As proibições humanas são sem sentido realmente. Algumas delas evitam a nossa extinção? Sim, mas a existência humana também é sem sentido. Não porque o homem seja mortal, apesar de termos dificuldade em encontrar sentido nisso. "Sentido objetivo" também é um conceito vazio.
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Jesus, O Pobre E Sua Morte
"Foi, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Então Maria, tomando um arrátel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento. Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava. Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto; Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes." João 12:1-8
Nestes versículos Jesus parece-me contraditório. Acho que existem várias formas de se expressar um afeto, sem apelar para este tipo de desperdício. Sua desculpa também não é a melhor de todas aqui. Se a essência da mensagem cristã é o amor ao próximo e ajudar os necessitados, acho sem sentido este tipo de prática enquanto muitos sofrem por causa de fome e frio. Talvez a alegação do evangelista de que Judas era um ladrão não passa de uma tentativa de justificar esta situação constrangedora.
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Nestes versículos Jesus parece-me contraditório. Acho que existem várias formas de se expressar um afeto, sem apelar para este tipo de desperdício. Sua desculpa também não é a melhor de todas aqui. Se a essência da mensagem cristã é o amor ao próximo e ajudar os necessitados, acho sem sentido este tipo de prática enquanto muitos sofrem por causa de fome e frio. Talvez a alegação do evangelista de que Judas era um ladrão não passa de uma tentativa de justificar esta situação constrangedora.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Sentido E Existência
A discussão sobre a vida ter sentido, ou não, não é algo tão simples assim. É impossível acessar certas verdades. Nem poderíamos, jamais, ignorar que a questão se limita à esta dicotomia. O fato de a vida ter um sentido não quer dizer que ele seja exatamente o sentido que gostaríamos que ela tivesse. Órgãos sexuais são profundamente constrangedores e repulsivos, mas eu nasci com eles assim mesmo. Detesto a morte e a doença, mas não sou capaz de me livrar delas. Talvez o sentido da vida seja a coisa em que menos conseguimos encontrar sentido. Ela não é aquilo que é pintado pelos cultos ou pelos bonitos ou pelos ricos ou por qualquer outro grupo "superior". Entendo que alguém possa encontrar mais sentido em funk do que em Beethoven. Eu não consigo fazer isso e tenho dificuldades até para tolerar este tipo de coisa, mas o que poderia fazer? Como poderia argumentar com quem dá comida ao cão que alimente o mendigo que dorme na porta da nossa casa ou que não culpe uma pedra por tê-lo feito tropeçar? Não posso acusá-lo de ter juízos arbitrários, eu também tenho os meus. Como disse o filosofo franco-argelino Albert Camus, "esse coração que há em mim, posso senti-lo e sei que ele existe. O mundo, posso tocá-lo e também julgo que ele existe. Aí se detém toda minha ciência, o resto é construção." Como pessimista, entretanto, estou profundamente inclinado a crer que toda a moral humana seja sem sentido, assim como a sua existência. Sim, o pessimismo é tudo o que tenho, se ele corresponde à realidade já é outra coisa.
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Argumentos Ateológicos
Argumento cosmológico
Se a relação causa-efeito requer tempo, e realmente requer, Deus não pode criar o tempo e ser a causa do universo ou de qualquer outra coisa. Uma vez que Deus não pode fazer coisas logicamente impossíveis não pode ser o Criador do universo, nem intervir nele, tendo o mesmo que ser incausado. Isso significa que, ao contrário do que foi dito por Paulo, a existência do mundo é totalmente indiferente à existência de Deus. O argumento cosmológico perde o sentido porque um Deus atemporal não pode criar o universo, o argumento teleológico perde o sentido porque Deus não pode organizá-lo, o argumento experiencial perde o sentido porque Deus não pode se comunicar com o ser humano e o argumento ressurrecional perde o sentido porque Deus não pode interferir no mundo realizando milagres. Se, entretanto, Ele não é atemporal, pode não pode Ser eterno.
Argumento Amoral
Para que Deus seja moralmente perfeito é necessário que a moralidade seja objetiva. A moralidade objetiva, entretanto, não existe em nenhum mundo possível. Se a bondade divina não pode ser tomada arbitrariamente, logo Deus não existe. Alguém, entretanto, pode crer em Deus, apesar e achar que a Sua santidade é apenas subjetiva.
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