sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Sobre A Bíblia E O Fim Da Inspiração?

Eu não leio a Bíblia como um crente, mas muitos dos meus amigos alegam que qualquer tentativa de se acrescentar algum texto aos que já existem é algo precipitado. Isto é um instinto protetor. Quem é que não irá se esforçar para cuidar daquilo que acredita ser sagrado? Segundo muitos deles, a ideia de inspiração bíblica não transcende a morte dos apóstolos, mas por que deveríamos pensar isso? O relato da mulher adúltera, por exemplo, somente foi escrito 300 anos mais tarde. Se Deus quiser acrescentar mais alguma coisa futuramente, já que esta não seria a primeira vez que algo estaria sendo acrescentado, é um direito que cabe exclusivamente a Ele. Não há nenhum critério para rejeitar esta possibilidade ao se supor um conhecimento total sobre os planos divinos. Deus poderia se manifestar mais alguma vez para a humanidade e não se limitar a Sua encarnação.

_

Sobre Ser Seu Próprio Deus

Recentemente muitas pessoas ficaram escandalizadas quando a atriz Aline Morais disse que não acredita em Deus, apenas em si mesma. Eu, como religioso, posso dizer que não acho isso ofensivo. Não acredito que alguma pessoa tenha a obrigação moral de acreditar em Deus, nem que Ele seja se tal forma. Não penso que seja presunção alguém dizer que é o seu próprio Deus, dependendo do que está querendo dizer com isso, claro.

_

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Inclusão Hoje

Tenho um amigo direitista que perdeu a fé em Deus, mas, não sei por qual motivo, continua fazendo parte de grupos de cristãos fanáticos como o Silas Malafaia. Inclusive, ele se referiu ao debate deste entre o Malafaia e o movimento pró-gay. Segundo ele, a "moral cristã" é superior ao secularismo e o Silas Malafaia foi incrível ao defender seus direitos. Eu respondi mais ou menos isso:

"Luciano. Se você não é cristão, por que é contra a união entre pessoas do mesmo sexo? Por que a Bíblia diz que é pecado? Ela também pode ser usada para defender o estupro. Você é contra a união inter-racial também? Você acha que é fanatismo alguém protestar contra o 'direito' que as pessoas podem possuir de estuprar em nome de Deus ou de ensinar que negros são animais sem alma? Quais são os seus critérios para dizer se uma aversão é preconceituosa ou não? Se usar placas de protesto é fanatismo (como fizeram diante do Malafaia), você acha que estes (os da foto) estavam sendo fanáticos também? Por quê? Quais são as diferenças?" Bem, ele não me respondeu e, ainda, excluiu os meus comentários.

Outro disse: "Frouxo mesmo este presidente. Não dá para tratar gayzista (sim, ele usou este termo preconceituoso tão popular entre os fundamentalistas) com educação. Esse pessoal, como todo psicopata, só entende a linguagem da autoridade e da força. Tinham que ter sido postos pra fora logo na reincidência."

Eu, entretanto, perguntei: Por acaso, se um grupo de negros protestar contra a pregação de que eles são descendentes amaldiçoados de Noé, como disse o idiota do Feliciano, você irá dizer que eles estão se comportando como nazistas? Por que esta lógica só funciona para os pobres homossexuais?

_

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Argumento Cosmológico?

Muitos dos meus amigos teístas dizem que acreditam em Deus porque o universo não pode ter surgido do nada. Bem, se algo surgir de nada, ou seja sem causa, não do nada, é algo ilógico, e Deus não pode fazer coisas ilógicas, isso significa que Deus não pode fazer coisas surgirem do nada. Pouco importa se estamos falando do universo ou de um grão de areia. Não teríamos como fugir disso. É sem sentido dizer que o universo, como divulgam muitos adeptos do argumento cosmológico por aí, não pode ter uma causa, e, ao mesmo tempo, dizer que Deus é a causa do universo. Primeiramente, não sabemos se o universo, em sua totalidade, realmente teve um princípio. Além disso, a ideia de causa-e-efeito se aplica a eventos e não a entes. Se a ideia de causa, que deve anteceder temporalmente o efeito, não é aplicável, e realmente não é, Deus não pode ser a causa dele. Se, por outro lado, falarmos de origens simultâneas, não poderemos saber o que realmente "causou" o que. Como um Deus atemporal poderia ser a causa do universo sem negar a própria natureza? Se a causa e o efeito podem ser simultâneos, o universo poderia existir "antes" de existir e criar a si mesmo, algo absurdo.

_

domingo, 25 de novembro de 2012

Deus Diferente?

Eu acho que a pergunta "e se Deus não for como pensamos?" é bem mais interessante. Não me parece que faça sentido perguntar "e se Deus não fosse como é?" Deus não poderia Ser de outro jeito, pois não haveria meio através do qual Ele poderia vir a Ser diferente. Ele, ao contrário das coisas que "criou", simplesmente é. Não existem meios pelos quais Ele vem a Ser. Existem meios pelos quais eu posso mudar. Daqui há dez anos, por exemplo, eu poderei não ter mais uma das pernas devido a algum acidente, ter um novo gosto musical ou alguma forma diferente de ver o mundo, mas não existiria nenhum estímulo que pudesse mudar a Deus.

_

Inspiração Bíblica E Inspiração Messianica

Hoje, um amigo perguntou no Facebook, se a Bíblia, por acaso, afirma ser a única regra de fé para o cristão. Todos, como já era previsto, os que responderam alegaram que sim. Alguns rapazes apresentaram alguns versículos na tentativa de provar isso:

"Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas." Marcos 7:13

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra." 2 Timóteo 3:16

Um deles até argumentou: "A Bíblia está recheada de princípios de vida." e outro: "Não é a Bíblia que diz que ela é inspirada, mas Deus que diz nela." Um terceiro arriscou: "De uma coisa eu sei, existe um Deus Soberano que zela por sua palavra e seu povo, se esses acréscimos ou doutrinas estivessem fazendo algum mal para nós, ele não teria permitido, e já teria feito com que tirassem..."

O que eu acho disso? Bem, na verdade, não há. Marcos 7:73 e 2 Timóteo 3:16, por exemplo, não podem ser aplicados à totalidade da Bíblia, já que ela só foi ser terminada muito mais tarde. Também não dizem que as Escrituras são a única regra de fé e, mesmo que falassem, dizer que a Bíblia é a única regra de fé, simplesmente porque ela diz isso, é uma falácia, um argumento circular. Seria a mesma coisa que você acreditar que eu sou Deus porque eu disse isso. O mesmo princípio poderia ser aplicado ao Alcorão ou a qualquer outro "livro sagrado".

A pergunta, entretanto, a ser feita para os católicos que adoram massacrar os protestantes em debates sobre inspiração bíblica, ou protestantes pós-modernos mesmo, é "como poderíamos saber, então, se a Bíblia é inspirada por Deus?" Essencialmente, a resposta irá se basear na alegação de que Jesus é Deus porque Ele disse que era Deus. "Jesus escolheu a Pedro como a rocha fundamental da Igreja e a sucessão apostólica permite esta interpretação!" Não é praticamente a mesma coisa? Se dizer que a Bíblia é inspirada porque ela diz isso é petitio principie, e realmente é, dizer que ela é inspirada porque podemos inferir isso da ideia de que Jesus é o Deus inspirador, também é se limitar ao mesmo discurso. Isso quer dizer que as seguidoras do Henri Cristo poderão dizer que a Bíblia é inspirada, se, tão somente, seu líder religioso disser que sim? A proposição "uma coisa só pode ser inspirada se algo inspirado confirmar isso, não faz sentido" pois é auto-destrutiva e envolve uma impossibilidade epistemológica. No meu ver, este raciocínio implica em uma regressão infinita sem sentido e na destruição da teologia. "Ele disse que é, logo ele é" não é tão eficiente quanto "penso, logo existo." Há também, sutilmente, uma falácia do táxi, pois o ceticismo só é levado em consideração até onde parece ser mais propício para a crença destes grupos. "Inspirou o quê?" "O que é e o que não é inspirado?" são perguntas que podem botar ainda mais lenha na fogueira.

Alguém, entretanto, deverá objetar dizendo que Jesus não era inspirado por Deus, mas o próprio Deus. Bem, a doutrina cristológica, com a sua ideia de natureza humana inspirada por natureza divina, vai contra isso. Jesus mesmo alegou várias vezes estar sendo inspirado por Deus. Sim, inspirado.

"Eu vim não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." João 6:38

“Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou." João 5:30

Como ficou claro nos dois versículos acima, Jesus entendia que, muitas vezes, a Sua vontade e a Vontade de Seu Pai eram contrárias em algum sentido.

“O meu alimento é fazer a vontade do Pai.” João 4:34

“Cristo se fez obediente até a morte e morte de cruz.” Filipenses 2:8. Bem, ninguém sai por ai dizendo que não é obediente a si mesmo. Dizer que a natureza humana de Jesus é obediente à Sua natureza divina, Sua "verdadeira vontade", parece, segundo a moral comum, algo muito menos nobre do que alguém obedecer a vontade de Outra Pessoa.

“Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade de quem me enviou” João 6:38. Nós costumamos ver virtude apenas em quem deixa, em algum sentido, de fazer a sua vontade para fazer a do outro. Se a de Jesus não é a mesma de Seu Pai, como as duas, contraditórias, poderiam ser ao mesmo tempo boas? Ou que virtude haveria em uma pessoa só fazer a vontade da outra sem abrir mão de alguma vontade particular?

"E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres." Marcos 14:36-37. Segundo Jesus, Ele e Seu Pai possuíam, pelo menos, alguns desejos diferentes e conflitantes.

"E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Lucas 23:34. Jesus, aqui, tentou mudar a opinião divina, achando que ela não era tão boa assim.

_

sábado, 24 de novembro de 2012

Asuka

No mundo não existe bondade, nem maldade
Só existe vontade
Vontade é grande parte da realidade

Querer não é poder
Pois as vontades sempre insistem em ter
Várias possuem em mente coisas diferentes para fazer

Veja o sangue que corre em minhas veias
Se não gosto de vê-lo em outro lugar, é porque importa que elas estejam cheias
Meu cérebro me sinalizava onde quer que ele esteja
Não lhe parece útil vê-lo em uma bandeja

Não há vinho, vinagre ou cerveja
Ou qualquer porcaria que posso escolher que ali esteja
Nem em meus papéis que guardo na gaveta

Qualquer vento que passe e arreste
E faça de mim mais um pobre refém
A oração não termina no amém
Não peça para que eu dê a outra face
Já bateram nela também

_