Suponhamos que alguém lhe diga que dentro de determinada caverna há um dragão e você percebe que esqueceu algo muito importante dentro dela. Se você é um amante de desenhos como "Historinhas de Dragões", onde os dragões são pintados como seres extremamente simpáticos, é muito provável que se sentirá mais tentado a entrar na caverna e conversar com ele do que em recuperar o objeto esquecido. Se, porém, você tem a mesma visão que a maioria das pessoas tem sobre dragões, é muito provável que você pense duas vezes antes de entrar nesta caverna. Baseado na crença popular sobre os dragões, você pode dar preferencia por entrar na caverna com um escudo e uma espada e não com um dicionário ou flores. Na verdade, nossa tendencia é representar sobre os dragões tudo o que aprendemos sobre eles e não considerarmos a possibilidade de os mesmos são serem exatamente como pensamos.
Quando penso em Deus, penso algo parecido. Acho bem idiotizante pensar que ao entrarmos na "caverna", Deus irá dizer algo do tipo "Alá? Como você ousa me chamar pelo nome errado?!" (como se Deus tivesse um nome), ou "como você ousa negar que Eu sou Três em Um?!" Eu não vejo razão alguma para acreditar que uma pessoa seja necessariamente imoral por não possuir um conhecimento "mais sofisticado" de Deus. Esta possibilidade se torna ainda menor quando se crê que este Deus não julga as pessoas segundo a ignorância que elas possuem. Não se esquecendo também que existe uma diferença enorme entre conhecer o cristianismo e saber que o cristianismo (qual cristianismo?) é verdadeiro.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Tem Como Saber Se é Deus Quem Se Comunica Conosco?
Como eu já disse, não tem como saber. Não tem como saber nem mesmo se eu estou sentado na frente do computador e não tendo apenas uma ilusão. Muitas das percepções que eu tenho do mundo podem ser falsas. Quem garante que eu não sou simplesmente um cérebro sofrendo estímulos em um laboratório, para ter determinadas sensações? Penso que Deus, se Ele quiser, pode sim se interagir conosco. Tenho a mesma perspectiva de C. S. Lewis, se Deus quiser Se revelar, Ele pode, e se não quiser, ninguém poderá pegá-Lo em Seu banho matinal.
E se forem vários seres sobrenaturais? Bem, em primeiro lugar, para que Deus se comunique, não precisa comunicar também a realidade de Sua divindade. Se Ele quiser, pode por exemplo, já que é o mais poderoso, minimizar a influencia dos demais seres ou criar situações em que fiquemos mais inclinados à ouvir a Sua mensagem, mais do que a de outros seres, também imatérias.
O fato de Deus não ser material não quer dizer que o mesmo não possa se comunicar com o ser humano, se tiver interesse. A mensagem divina não precisa envolver nenhum evento extraordinário. Muitos de nossos instintos, como por exemplo, a nossa consciência de uma responsabilidade moral, podem estar relacionados a estas mensagens. A impossibilidade se encontraria na esfera epistemológica, pois a dificuldade está em identificar a "voz" divina e não na impossibilidade da mesma ser transmitida. A questão não é se podemos ouvir a mensagem divina sempre que desejamos, mas sempre que Deus deseja.
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E se forem vários seres sobrenaturais? Bem, em primeiro lugar, para que Deus se comunique, não precisa comunicar também a realidade de Sua divindade. Se Ele quiser, pode por exemplo, já que é o mais poderoso, minimizar a influencia dos demais seres ou criar situações em que fiquemos mais inclinados à ouvir a Sua mensagem, mais do que a de outros seres, também imatérias.
O fato de Deus não ser material não quer dizer que o mesmo não possa se comunicar com o ser humano, se tiver interesse. A mensagem divina não precisa envolver nenhum evento extraordinário. Muitos de nossos instintos, como por exemplo, a nossa consciência de uma responsabilidade moral, podem estar relacionados a estas mensagens. A impossibilidade se encontraria na esfera epistemológica, pois a dificuldade está em identificar a "voz" divina e não na impossibilidade da mesma ser transmitida. A questão não é se podemos ouvir a mensagem divina sempre que desejamos, mas sempre que Deus deseja.
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sábado, 19 de maio de 2012
O Pecado Existe?
Não sei. Talvez ninguém saiba. Se Deus existe, o pecado realmente existe, pois uma vez que Deus é o Ser maximamente grande, sabemos que um Ser moralmente perfeito é superior a um ser moralmente imperfeito. Com "moralmente imperfeito", não estou me referindo necessariamente à um ser imoral ou falho em obedecer regras morais, mas também, e mais especialmente, a um ser que não tem a moralidade (objetiva) como uma extensão de sua natureza. Por definição, Deus não pode ser moralmente imperfeito, nem imoral, apenas um deus menor poderia sê-lo. A moralidade objetiva, entretanto não precisa estar de acordo com os nossos valores. Seria o velho problema epistemológico mesmo. Se, por outro lado, Deus não existe, e o universo não foi criado por Ele, mas por algum outro ser sobrenatural, isto quer dizer que o pecado também não existe. O que podemos concluir a partir disso, é que nenhuma teologia pode afastar de sua esfera a doutrina do pecado, independentemente de como ela se manifeste, mas isto já se torna possível em alguma religião não-teísta, como o budismo, por exemplo.
O argumento cosmológico não demonstra que o criador do universo é necessariamente moral, nem podemos chegar à esta conclusão. Pode, e ao mesmo tempo, pode não ser. Pode até ser imoral. O "argumento" da ressurreição e nenhum outro seriam capazes de provar isso, somente um argumento à favor da existência de Deus necessariamente. O pecado pode ser apenas uma ideia que desenvolvemos em nosso processo evolutivo para simplesmente conservar a nossa espécie, um fruto da exploração e da superstição e uma desculpa para o fato de Deus permitir tanta coisa desagradável. Mas pode também ser um erro horrível, o qual nunca poderemos realmente compreender quão danoso é, devido a uma postura liberal que também podemos encontrar no mundo pós-moderno. Crer a partir da ressurreição é uma leitura dos fatos, não se sustentar em um fato.
A moral não é algo que você pode tocar, respirar ou levar para testar em um laboratório. Deus, por ser onisciente é o único que pode realmente saber que o pecado existe. E como a onipotência consiste apenas em poder fazer coisas logicamente possíveis, Ele não não pode realmente nos provar a existência de tais valores, mesmo que eles existam.
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O argumento cosmológico não demonstra que o criador do universo é necessariamente moral, nem podemos chegar à esta conclusão. Pode, e ao mesmo tempo, pode não ser. Pode até ser imoral. O "argumento" da ressurreição e nenhum outro seriam capazes de provar isso, somente um argumento à favor da existência de Deus necessariamente. O pecado pode ser apenas uma ideia que desenvolvemos em nosso processo evolutivo para simplesmente conservar a nossa espécie, um fruto da exploração e da superstição e uma desculpa para o fato de Deus permitir tanta coisa desagradável. Mas pode também ser um erro horrível, o qual nunca poderemos realmente compreender quão danoso é, devido a uma postura liberal que também podemos encontrar no mundo pós-moderno. Crer a partir da ressurreição é uma leitura dos fatos, não se sustentar em um fato.
A moral não é algo que você pode tocar, respirar ou levar para testar em um laboratório. Deus, por ser onisciente é o único que pode realmente saber que o pecado existe. E como a onipotência consiste apenas em poder fazer coisas logicamente possíveis, Ele não não pode realmente nos provar a existência de tais valores, mesmo que eles existam.
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sexta-feira, 18 de maio de 2012
Deus, Amor E Calvinismo
1. Quando se ama alguma pessoa, se deseja o bem dela;
2. Deus não deseja o bem de todas as pessoas;
3. Logo, Deus não ama todas as pessoas.
É possível amar uma pessoa e, ao mesmo tempo, desejar o mal dela?
"Calvinistas. Se eu posso amar as pessoas, e mesmo assim, desejar o mal delas, Hitler não foi nenhum monstro."
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Cristão Anonimo
"Se eu não puder torná-lo cristão, me contentarei ao influencia-lo com meu cristianismo. Que sejas um cristão anonimo, se este for o plano de Deus."
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O Argumento Cosmológico Diz Que Deus Criou O Universo?
Não. O argumento cosmológico não diz que foi Deus quem criou o universo. O que diz isso são as religiões como o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Deus é por definição, o Ser maximamente grande, e o Ser Criador do Universo não precisa ser necessariamente o Ser maximamente grande, nem mesmo um ser onipotente. Isto entretanto, não quer dizer que Deus não existe, apenas que não é necessário. Existe a possibilidade também de Deus existir e não Ser o Criador do universo. Ou seja, podem existir seres com a capacidade de criar, com a orientação divina ou não, o universo. Estes criadores não-divinos, e não-onipotentes, poderiam ser o motivo de o mundo não ser o tão "ajustado" como gostaríamos. Então, se alguém vê nas imperfeições que o nosso mundo possui, um motivo para adotar o teísmo aberto como única alternativa, deveria considerar esta possibilidade também. Quem adota o teísmo aberto por este motivo exclusivamente, deve considerar esta alternativa. Já que, aparentemente, a pessoa não está tão preocupada em ser "ortodoxa", talvez não terá algum problema com esta ideia.
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terça-feira, 15 de maio de 2012
Sobre Os Que Rejeitam O Cristianismo
Como eu havia dito uma vez, quando olhamos para o Antigo Testamento "o problema dos não evangelizados" praticamente não existia já que o texto é fruto de um povo com uma visão de um Deus nacionalista. Somente a partir da figura de Jesus e da pregação paulina, que o Deus judaico-cristão começa um processo de universalização significativa de Sua mensagem. Paulo, diante deste paradoxo, escreve Romanos 1 desejando apresentar uma justificativa para a condenação daqueles que não aderem todos os princípios cristãos, mas a sua argumentação possui várias fragilidades que foram tratadas aqui. A alegação paulina não fica de pé quando leio Kant e Descartes. Existe uma diferença significativa entre um pessoa conhecer o cristianismo e saber que o cristianismo é verdadeiro. É só uma mal entendido sobre a questão e que já de cara rejeita a inclusão. O problema epistemológico continua.
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