quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um Mundo Sem Deus é um Mundo Melhor do Que um Mundo Com Deus?

"Louco não é o homem que perdeu a razão. Louco é o homem que perdeu tudo menos a razão."

Gilbert Keith Chesterton

Creio que nós teistas não devemos nos limitar aos argumentos a favor da existência de Deus, mas defendermos também argumentos para a crença na existência de Deus.

Digo isto, porque apesar de os ateus terem sido totalmente fracos ao tratar sobre os argumentos teistas para a existência de Deus tem incoerentemente fingido que não há nenhuma implicação existêncial em questão.

Quando apelamos para o "argumento existencial" somos tidos como pessoas carentes que apelam para falácias emocionais, mas dizer que não devemos ser guiados por falsas alegações (sejam elas emocionais ou não) é dar um sentido objetivo para a existência.

Em um dos episódios do seriado Doutor House, o protagonista responde a este tipo de argumento dizendo que o que lhe importava era a verdade (nua e crua). Mas no materialismo que superioridade possui a verdade? Possuímos um dever moral para com ela?

Se a vida não possui um sentido tanto faz crer ou não crer em Deus, estar ou não estar de acordo com a verdade ou com a moralidade. O ateísmo militante é assim uma postura imbecíl e meramente emocional, pois mesmo que Deus não exista o teismo não é em nada inferior se partirmos da pregação de que uma idéia de "mundo pior" ou "mundo melhor" é simplesmente subjetiva. Não passa de uma briga para saber quem tem a razão e nada mais.

O fato de os ateus poderem viver uma vida mais "liberal", em um estilo epicurista ou imediatista não faz de sua existência mais significativa que a teista, pois se baseia em uma ilusão sem valor objetivo. O mundo somente pode ser melhor se Deus existir já que passa a ter um significado relevante:

1. Se o ateísmo é verdadeiro a vida não possui um significado objetivo;

2. Se a vida não possui um significado objetivo a alegação de que o ateísmo é superior ao teísmo ou uma forma mais significativa de viver é simplesmente subjetiva;

3. Logo, a própria veracidade do ateísmo é irrelevante para sustentar a sua superioridade.

Gosto de trabalhar com uma ilustração em que um filósofo propõe um argumento definitivo para a inexistência de Deus e seus amigos ateistas o abordam dizendo:

- Este argumento é o que procuramos desde o surgimento da humanidade!! Vamos apresentá-lo a estes teístas estúpidos e responder a pergunta mais importante da história!!

- O mundo seria melhor se Deus existisse... Saibam que o fato de eu não crer que Deus exista não quer dizer que acho isto algo agradável.

- Mas Ele não existe!!! Estavamos certos!!

- Eu sou um filósofo. Não pense que me dedico a estas brigas de ego.

- Entendo, mas esta é a verdade, a resposta definitiva a questão mais importante da humanidade!! Não seja egoísta!! Você é um pensador brilhante!!

- Se Deus não existe a vida não possui sentido algum e ninguém venceu ou pode vencer aqui. Se Deus não existe tanto faz se descobrimos isto. A filosofia e todo conhecimento não possui sentido algum. Se a vida não possui significado não há sentido em se filosofar sobre ela, tanto faz em que crêem as pessoas, ora. A filosofia morreu aqui, pois a descoberta em questão se torna sem importância.

- Podemos comemorar, amigo... Apresente este argumento ao mundo e nos tornaremos livres da opressão religiosa e de todas as suas superstições!!

- Um ateu que comemora por Deus não existir, indiretamente comemora por o estupro não ser objetivamente imoral, mas ser simplesmente um valor cultural. Este ateu indiretamente comemora o fato de a vida humana não ser em nada mais nobre do que uma pedra morta. Este tipo de ateu é como um condenado que aposta com seu parceiro de cela qual será a sua forma de morte e festeja ao saber que como havia previsto será enforcado, isto pelo simples prazer de ter a razão no final das contas.

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Jesus Disse que João Batista Era Elias Reencarnado?

MATEUS 11:14

PROBLEMA: Nesse versículo Jesus refere-se a João Batista como "Elias, que estava para vir" (cf. Mt 17:12; Mc 9:11-13). Mas, já que Elias havia morrido muitos séculos antes, João então seria uma reencarnação de Elias.

SOLUÇÃO: Há muitas razões pelas quais esse versículo não ensina a reencarnação. Em primeiro lugar, João e Elias não foram o mesmo ser - eles tiveram a mesma função. Jesus não estava ensinando que João Batista literalmente era Elias, mas apenas que João veio "no espírito e poder de Elias" (Lc 1:17), ou seja, para continuar o seu ministério profético.

Em segundo lugar, os discípulos de Jesus entenderam que ele estava falando de João Batista, já que Elias apareceu no monte da Transfiguração (Mt 17:10-13). Àquela altura, depois da vida e da morte de João Batista, e já que Elias ainda tinha o mesmo nome e autoconsciência, ele obviamente não tinha se reencarnado em João Batista.

Em terceiro lugar, Elias não se enquadra dentro do modelo da reencarnação por uma outra razão: é que ele não morreu. Ele foi tomado ao céu como Enoque, que "foi trasladado para não ver a morte" (2 Rs 2:11; cf. Hb 11:5). De acordo com o falso ensino da reencarnação, o que tradicionalmente é dito é que uma pessoa tem de morrer primeiro, para depois reencarnar-se num outro corpo.

Em quarto lugar, se houver qualquer dúvida quanto a essa passagem, ela deverá ser entendida à luz do claro ensino das Escrituras contra a reencarnação. O autor de Hebreus, por exemplo, declara que "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo" (Hb 9:27; cf. Jo 9:2).

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Série Pedobatismo e Objeções Refutadas

Pude um dia conhecer o excelente livro "Estudos Bíblicos Sobre o Batismo de Crianças" do escritor Philippe Landes e mudar a minha visão acerca da validade do pedobatismo. A argumentação apresentada alí é tão rica e competentemente desenvolvida que me vi forçado (com muito prazer) a considerá-lo como uma prática cristã coerente. Foi este livro que me abriu a mente para a crença no batismo infantil e me levou a ler mais trabalhos sobre o assunto. Irei fazer uma série onde algumas das mais populares objeções ao pedobatismo são analisadas e uma a uma refutadas:

Objeção n° 1: A objeção número um dos antipedobatistas é que as criancinhas não podem exercer uma fé pessoal em Cristo como o seu Salvador e por isso não devem ser balizadas. Baseia-se a objeção em versículos como Marcos 16:16: "O que crer e for batizado será salvo; mas o que não crer será condenado".

Resposta: Se essa objeção fosse válida, as criancinhas incapazes de fé pessoal seriam condenadas e perderse-iam, pois o texto citado afirma: "O que não crer será condenado". A criança, não podendo crer, seria condenada. E, no entanto, até mesmo os adversários do batismo infantil admitem que as criancinhas que morrem na infância são regeneradas e salvas.

O grande teólogo João Calvino, nas "Instituías da Religião Cristã" demonstra o absurdo da argumentação antipedobatista baseada em Marcos 16:16, pela citação de uma outra passagem análoga em que São Paulo afirma que não deve comer quem não quer trabalhar (II Tess. 3:10). Se esse preceito fosse aplicado às crianças, deveríamos deixá-las perecer de fome. Esse conselho do apóstolo manifestamente não é aplicável às criancinhas incapazes de trabalhar.

O contexto de Marcos 16:16 indica semelhantemente que esse texto se refere exclusivamente aos adultos capazes de ouvir o evangelho, compreendê-lo e crer n'Ele. A passagem nada diz sobre crianças incapazes de compreender o evangelho. Serão condenados apenas os que ouvem, entendem e rejeitam o Evangelho. Nada se prova pró ou contra o batismo infantil, porque neste passo não se cogita de crianças. O evangelho é pregado a pessoas capazes de compreendê-lo.

Convém notar, outrossim, que o batismo representa a regeneração operada pelo Espírito Santo no coração dos salvos e não tanto a fé humana que está germinalmente incluída na regeneração é um dos seus frutos. A fé é indispensável para adultos, mas mesmo para estes a fé seria impossível sem a sua prévia regeneração. Tudo depende da graça de Deus. Tanto na circuncisão como no batismo celebra-se e honra-se a regeneração mais do que a fé humana dos participantes dessas ordenanças. A parte indispensável é a obra da Graça de Deus simbolizada pelas duas ordenanças da circuncisão e do batismo. A fé é dispensável para a criança, uma vez que existam razões bíblicas para julgar que seja regenerada.

Os que alegam ser necessária a fé para o batismo infantil, se fossem coerentes, teriam de admitir a mesma necessidade para a circuncisão infantil, porque esta cerimónia significa a mesma regeneração representada pelo batismo, como já tivemos ocasião de provar. Quem argumenta contra o batismo infantil por causa da falta de fé das crianças, teria de rejeitar a circuncisão pelo mesmo motivo. Do contrário, colocar-se-ia na posição absurda de se opor àquilo que Deus ordenou, quando instituiu a circuncisão, sem exigir uma fé pessoal dos meninos circuncidados.

Objeção n.° 2: A segunda objeção dos antipedobatistas é sememelhante à primeira. Afirmam frequentemente que o batismo de crianças inconscientes é uma violação da sua liberdade de escolha pessoal.

Julga-se que os pais não possuem nenhum direito de decidir sobre a religião que os filhos devem seguir, mas antes devem deixá-los decidir essa questão individual e livremente, quando chegam à idade própria para escolher por si.

Resposta: É mister reconhecer que para pessoas adultas capazes de raciocinar e resolver os seus próprios problemas religiosos uma decisão de aceitação pessoal de Cristo como Salvador é absolutamente indispensável, mas, quando se trata de crianças inconscientes, os pais, de acordo com as Escrituras, são os seus legítimos representantes e devem agir em seu benefício. Assim fez Josué quando disse: "Quanto a mim e à minha casa serviremos ao Senhor" (Jos. 24:15). Josué decidiu qual seria a religião seguida pelos seus.

Nos pactos que Deus fez com o seu povo foram sempre reconhecidos os pais como os legítimos representantes dos filhos. Assim aconteceu com Adão (Rom. 5:19), com Noé (Gen. 9:8, 9) e com Abraão (Gen. 17:7). Na Nova Dispensação os pais continuam a representar os filhos, conforme a palavra autorizada de S. Pedro: "A promessa é para vós e para os vossos filhos (At. 2:30).

E é justamente por serem inconscientes e incapazes de agir por si mesmos que devemos agir pelos nossos filhinhos, decidir por eles e defender os seus interesses. Os pais decidem sobre a alimentação dos filhos, sobre o seu vestuário, sobre os seus brinquedos, sobre os seus companheiros e sobre as escolas que devem frequentar, sem que tudo isso seja considerado uma violação da sua liberdade individual. Que pensaríamos de pais que deixassem as criancinhas de tenra idade colocar na boca e engulir tudo quanto pudessem apanhar do chão? Se os pais zelam pela saúde física e moral dos filhos, por que não deverão, a exemplo do que fez Josué, decidir sobre a religião que devem seguir, sem prejuízo para a sua liberdade pessoal?

Muitos crentes piedosos, embora sejam adversários do batismo infantil, mandam os filhinhos ao departamento primário da escola dominical e ministram-lhes ensino religioso em casa, desde a sua mais tenra infância, como aconteceu com o menino Timóteo (II Tim. 1:5 e 3:15). Essas criancinhas aprendem na escola de Jesus fundada por Ele, quando disse: "Ide, pois e ensinai a todas as gentes, batizando-as em o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mat. 28:19). Se a criança pode ser um alunozinho na escola de Jesus, tem também direito ao batismo, o sinal visível da sua matrícula, e se o educar uma criança na religião de Deus não é uma violação da sua liberdade, muito menos o será aplicar-lhe o sinal exterior desse privilégio.

A herança religiosa que Deus promete aos pais para os filhos constitui para estes um grande privilégio e uma preciosa benção espiritual. Essa bela herança não deve ser recebida como uma imposição prejudicial à liberdade do indivíduo, mas antes como a mais valiosa herança que um pai pode legar ao filho. Foi essa, sem dúvida, a intenção de Josué, ao legar a sua religião aos filhos.

Tanto as leis civis como as religiosas determinam que os pais representem os filhos até que estes atinjam à maioridade. Os pais são responsáveis pelos bens e pela conduta dos filhos, sem que isso implique em uma violação das liberdades e dos direitos próprios de menores. Quando os pais adquirem propriedades de grande valor, os filhos herdarão essa fortuna. Semelhantemente os crentes sinceros são herdeiros de Deus e coerdeíros de Cristo e legarão a sua preciosa herança aos filhos. Quem poderá tachar isso de violação de liberdade de consciência?

Ainda mais, o batismo infantil não é uma violação da liberdade individual, porque quando a criança chegar à idade adulta fará as suas próprias decisões, na maioria dos casos, muito naturalmente confirmará alegre e voluntariamente o que fizeram os pais crentes em seu nome, ou então, excepcionalmente, empregará a sua liberdade para escolher uma religião diferente da religião dos pais.

Os privilégios civis dos nossos filhinhos apresentam-nos uma significativa analogia aos seus direitos religiosos. Logo após o seu nascimento, registramos os seus nomes em cartório como brasileiros. As crianças nascidas no Brasil e filhas de pais brasileiros são tidas como brasileiras e gozam da proteção das leis do país. Nisso não se vê nenhuma violação da sua liberdade de consciência. Chegando elas à maioridade, muito naturalmente confirmarão o que por elas fizeram os pais, mas, excepcionalmente, poderão emigrar para uma outra terra e naturalizar-se como cidadãos de um outro país. Um brasileiro nato, a quem se ensinou a amar a pátria, não abandonará com facilidade os seus privilégios de cidadania brasileira. Semelhantemente, um herdeiro das promessas de Deus, educado na religião cristã, não repudiará com facilidade a sua preciosa herança. E em tudo isso haverá alguma violação da liberdade de consciência?

Quem se opõe ao batismo de crianças, por julgar que seja uma violação da liberdade pessoal, teria logicamente que se opor à circuncisão infantil que admitidamente foi instituída por Deus e tem a mesma significação cerimonial. Do contrário, opor-se-ia ao próprio Deus.

Objeção n°. 3: Ainda outra objeção ao batismo infantil é a seguinte: não há no Novo Testamento nenhum mandamento expresso para batizar crianças e por isso não devem ser submetidas a esse rito. Exige-se uma ordem expressa de Jesus ou dos apóstolos para justificar essa prática.

Reposta: Um mandamento expresso para batizar crianças no Novo Testamento é desnecessário, porque os discípulos de Jesus bem sabiam que as crianças tinham sido incluídas no pacto que Deus fez com o Seu povo, concedendo-lhes o privilégio de pertencer à Igreja de Deus e que por isso deveriam receber o sinal visível dessa graça. Se esse privilégio das crianças tivesse sido ab-rogado, e então sim seria preciso que houvesse uma ordem expressa cassando esse direito das crianças. As leis não ab-rogadas continuam em vigor. Não há em todo o Novo Testamento nenhuma disposição que prive as crianças do aludido direito. O ónus probandi pesa sobre os adversários do batismo infantil para mostrar biblicamente que as crianças não devem ser balizadas.

No tempo de Jesus os judeus faziam discípulos ou prosélitos circuncidando-os, batizando-os e exigindo dos pais ou mentores um sacrifício. Os filhos menores de prosélitos eram recebidos na Igreja judaica da mesma maneira. Uma vez que já era costume batizar as crianças de prosélitos, os discípulos de Jesus, recebendo uma ordem para batizar as gentes, deviam entender que as crianças seriam também admitidas pelo rito do batismo.

Se não há no Novo Testamento nenhum mandamento expresso para batizar crianças, também não o há para guardar o domingo como dia de descanso ou para permitir que as mulheres participem da Santa Ceia, na Nova Dispensação. Ao que parece, somente homens participaram da primeira Santa Ceia, quando Jesus a instituiu. Os referidos costumes se justificam por inferências lógicas e por bem alicerçados princípios bíblicos. O mesmo acontece com o batismo infantil e tudo o que se pode provar biblicamente, por meio de inferências claras e seguras, deve ser observado.

Objeção n.° 4: Alegam alguns adversários do batismo infantil que o batismo cristão não pode ser o substituto da circuncisão, porque este último rito é administrado a pessoas de ambos os sexos, conquanto a circuncisão tenha sido aplicada exclusivamente às crianças do sexo masculino.

Resposta: Na Velha Dispensação, as mulheres e as crianças do sexo feminino gozavam dos privilégios do pacto que Deus fez com o Seu povo, pela representação dos pais e maridos. Ninguém negará que as mulheres e as meninas israelitas do velho regime tenham pertencido ao povo de Deus. Elas tinham esse privilégio por terem sido representadas pelos homens seus parentes chegados. Quando uma mulher de qualquer uma das tribos de Israel se casava com um homem de outra tribo; ela passava a pertencer à tribo do marido. As mulheres não agiam por conta própria, mas eram dirigidas e representadas pelos homens. Nas próprias genealogias apareciam somente os nomes dos homens. As mulheres ocupavam uma posição de inferioridade.

No Novo Testamento, Nosso Senhor Jesus Cristo conferiu novos privilégios e direitos às mulheres. As pessoas do sexo feminino não mais ocupavam uma posição de inferioridade, pois no novo regime foi abolida a antiga distinção entre homens e mulheres. São Paulo o afirma em Gal. 3:27-29; "Porque tantos quantos fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. Não pode haver judeu nem grego, não pode haver escravo nem livre, não pode haver homem nem mulher, pois todos sois um em Cristo Jesus. Mas, se vós sois de Cristo, então sois semente de Abraão, herdeiros segundo a promessa". No novo regime instituído por Jesus até mesmo os escravos se uniam à Igreja por conta própria e não por representação dos seus senhores. As palavras do apóstolo Paulo, acima citadas, levam-nos a concluir que o batismo deve ser aplicado a ambos os sexos, embora não tivesse sido assim com a circuncisão. O caso de Lídia, registrado em Atos 16:15, indica que as mães crentes, juntamente com os filhos, eram batizadas na Igreja Cristã, já se vê que na Nova Dispensação as mulheres pertenciam à Igreja por conta própria e não pela representação dos homens. Sendo assim, todos os membros da família deviam ser batizados, tanto os do sexo feminino como os do sexo masculino. Jesus deu à mulher, na sociedade e na igreja, uma posição muito mais elevada do que a que ela ocupava antes da era cristã. Eis, pois, o motivo por que as mulheres e as crianças do sexo feminino devem ser batizadas na igreja Cristã, embora para elas não houvesse um rito de iniciação na Igreja judaica.

Objeção n.° 5: Os adversários do batismo infantil afirmam ser a circuncisão um distintivo de nacionalidade entre os judeus, sem significação religiosa, e julgam que por isso o batismo, tendo profunda significação religiosa, não pode ser o substituto da circuncisão.

Resposta: A circuncisão tem na Bíblia uma profunda significação religiosa, pois é o sinal da justificação (Rom. 4:11), ou regeneração do pecador, como o é o batismo. Ao tratar da justificação, o apóstolo Paulo declara que Abraão foi justificado antes de ser circuncidado e que para ele a circuncisão foi "o selo da justiça da fé que teve, quando não era circuncidado; para que fosse ele o pai de todos os que crêem (Rom. 4:10, II).

Já se vê que, para Abraão e sua descendência, a circuncisão tinha significação espiritual e religiosa. Era o selo da justificação que Paulo denomina justiça da fé. Na mesma carta aos Romanos, o grande apóstolo aos gentios categoricamente confirma o catáter espiritual e religioso da circuncisão, nos seguintes termos: "Não é judeu aquele que o é exteriormente, nem é circuncisão o que o é exteriormente na carne; mas é judeu aquele que o é interiormente, a circuncisão é a do coração, no espírito e não letra; cujo louvor não vem dos homens, mas de Deus" (Rom. 2:28, 29).

Que São Paulo tinha a circuncisão como símbolo da regeneração provas ainda pelo seguinte trecho na sua carta aos Gálatas: "Porque nem a circuncisão é coisa alguma nem a incircuncisão, mas o ser uma nova criatura"(Gal. 6.15). O que tinha valor para Paulo era a significação espiritual da circuncisão.

Há, outrossim, inúmerosas passagens no Velho Testamento que se referem à circuncisão do coração, contrastando-a com a circuncisão carnal, emprestando-lhe desse modo uma significação religiosa. Quem quiser uma prova cabal do nosso asserto, leia os seguintes textos no Velho Testamento: Deut. 10:16 e 30:6; Jer. 4:4; 6:10 e 9:25, 26; Lev. 26:41 e Ezeq. 44:7. Nessas passagens a circuncisão é sinal de vida espiritual e a incircuncisão é sinal de incredulidade e morte espiritual.

Não negamos que a circuncisão tivesse uma significação cívica para os israelitas, mas esse povo era a nação escolhida de Deus, o seu governo era teocrático e por isso a sua lealdade nacional tinha uma significação tanto religiosa como cívil. Nem sempre a profissão de fé por meio da circuncisão correspondia à realidade íntima da justificação ou da circuncisão do coração, mas isso acontece também com a profissão de fé pelo batismo. Os batizados dos nossos tempos nem todos são regenerados, mas nem por isso deixa o batismo de ter uma significação religiosa para os verdadeiros filhos espirituais de Abraão (Gal. 3:27-29).

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Snoopy e a Teologia

Quem me conhece sabe que sou um grande amante do trabalho do cartunista americano Charles Schulz, criador da série Peanuts. Achei oportuno postar algo relacionado à sua obra aqui.


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Duas Perspectivas Escatológicas, o Perdão Divino e a Eternidade

Geralmente os protestantes trabalham com a idéia de que o perdão divino está limitado de forma nonsense ao tempo. Deus traça uma data para a Sua Volta, oferece um tempo intermediário entre a Sua primeira e Sua segunda Vinda para que os pecadores possam se arrepender dos seus pecadores e em seguida não aceita em qualquer caso que estes venham a "mudar de lado". Ficam portanto, tais pecadores escravos perpetuamente da danação independentemente de suas escolhas posteriores. Os adventistas costumam chamar este acontecimento de "fechamento da porta da Graça" e outros evangélicos embora, não ofereçam um nome específico para esta doutrina afirmam de certa forma a mesma coisa ao dizer que não haverá mais perdão para os pecadores após a morte, a Volta de Cristo, no "inferno" ou no "lago de fogo".

Como exemplo, podemos imaginar um homem muito rico que diz a uma multidão de mendigos famintos que até determina hora da noite oferecerá comida a quem bater na sua porta e que ao chegar algum deles pela madrugada se nega a atendê-lo, mesmo ciente de sua grande necessidade. Podemos inicialmente pensar que não há erro algum da parte do benfeitor ao não atender aos apelos do pobre necessitado após o horário marcado, afinal ele tem exercido voluntariamente um trabalho muito generoso, mas ao olharmos para aquele Jesus dos Evangelhos parece-me implausível tal atitude por parte d'Ele. A pregação de Jesus de que devemos perdoar 70 vezes 7 aos nossos inimigos me faz incapaz de crer que o perdão divino está limitado ao tempo finito.

Minha visão escatológica consiste na idéia de que Deus somente privará do Seu perdão aqueles que não oferecerem "esperança" de arrependimento. Nesta perspectiva podemos propor uma parábola em que o homem não ofereceu mais comida aos famintos porque estes estão definitivamente desinteressados em sua oferta ou porque não estão honestamente interessados nela. Neste caso o envolvimento das pessoas com o pecado e a sua insistente rejeição a Deus podem com o tempo cauterizar a sua consciência e torná-las incapazes de se arrepender sinceramente. Aqui, por não haver arrependimento não há perdão.

Deus não perdoa os demônios porque estes perderam esta Graça com o passar do tempo, mas simplesmente porque se negam a se arrepender sinceramente ficando fadados a sua escolha:

2 Timóteo 4. 1-4 nos diz: "Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino,

Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.

Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;

E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas."

Hebreus 6:4-6 pode nos dar uma melhor idéia desta postura:

"Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério."

Algumas parábolas de Jesus e algumas declarações bíblicas parecem negar esta minha afirmação, mas não podemos esquecer que o verdadeiro interesse dos autores bíblicos é anunciar a Sua Vinda, a salvação final dos santos e a punição dos perdidos.

Um exemplo parecido com o que foi por mim citado podemos encontrar na parábola da dez virgens relatada no Evangelho de Mateus, 25:1-13. Não creio que o interesse de Jesus ao ensiná-la é limitar o perdão de Deus temporalmente, assim como não era Seu interesse ensinar que os perdidos ficarão um tempo por engano no céu na parábola das bodas em Mateus, 22:1-14 ao perguntar:

"Meu amigo, como entraste aqui sem a túnica nupcial? O homem guardou silêncio. Então, disse o rei à sua gente: Atai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores; aí é que haverá prantos e ranger de dentes, porquanto, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos"

As parábolas de Jesus tem por interesse demonstrar uma verdade sobre uma questão mesmo que outra seja aparentemente negada. Ele não queria nelas falar de perdão como em outras oportunidades, mas de pena, esperança pela Sua vinda e justiça.

Talvez alguém faça uma objeção a esta visão dizendo que muitos rebeldes desinteressados em viver moralmente seriam salvos vendo esta possiblidade já que se tornar cristão ante o majestoso Trono de Deus parece ser algo muito fácil, mas devemos lembrar que o mero interesse não é um arrependimento sincero. Se este pecador estiver sinceramente arrependido ante o Seu julgamento não vejo nenhuma objeção inteligente à afirmação de que ele será salvo. Talves diante de Deus um ateu sincero diga: "Uau. Você existe mesmo!" e possa entrar no gozo eterno em seguida.

Segundo esta visão as dez virgens da parábola de Jesus não ficaram de fora do casamento do Noivo porque o Noivo não estava mais aberto para conceder perdão, mas porque sua busca por Ele consistia em mero interesse. Prova disto é que não estavam preparadas para o esperado encontro. Em nossa teologia os únicos culpados por não recebermos o perdão de Deus devemos ser nós mesmos.

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Exclusivismo Inconsistente

Segundo os teólogos Deus se revela de várias maneiras. Podemos encontrá-lo através da Bíblia, do Espírito Santo, de Jesus Cristo, de sonhos, de visões, etc.

O problema é que muitos destes teólogos que afirmam que Deus também se manifesta através da natureza rejeitam o fato de que as religiões possuem suas origens em um sistema contemplacionista e que estão sujeitas a revelação muito mais limitada de Deus. Existem vários religiosos não-cristãos pelo mundo que tem sinceramente buscado este ente sobrenatural em suas religiões. É absurdamente incoerente a afirmação de que todos eles não podem desfrutar de uma verdadeira intimidade com Deus e futuramente da eternidade, pois como uma pessoa pode ser tida como um mau filho ou uma má filha simplesmente porque não sabe mais informações sobre o seu Pai? Qual seria a finalidade então desta revelação natural?

Esta perspectiva cristã exclusivista da religião nos faria pensar também que um homem deve ser punido por matar outro homem quando não sabia que o que estava a espancar era um homem ou que quando lançamos várias bolinhas em suas mãos devemos cortar os seus pulsos se ele não escolher exatamente a bolinha "premiada". Não condiz com o caráter do Deus cristão a crença de que os adéptos de outras religiões deverão ser punidos simplesmente por não conhecê-Lo ou por não verem nesta vida motivos justificáveis para reconhecer Sua superioridade sobre as demais divindades. A questão desta punição ser "mais tolerante" em caso de tal ignorância ainda envolve "injustiça".

Uma das principais diferenças entre o Deus cristão e os demais deuses são os mitos que o cercam. Cristãos e pagão assim possuem simplesmente mitos divergentes acerca da divindade a que adoram, Aquele que se revela em Sua Criação.

Partindo desta perspectiva como poderemos entender a aversão bíblica as demais religiões? Talvez alguns escritores bíblicos não tenham entendido a questão por esta perspectiva ou estivessem mais preocupados em defender a superioridade do seu Deus e de seu povo sobre os demais.

Creio porém, que esta aversão seja justificável quando temos em mente que o cristianismo nos oferece uma visão mais abrangente de Deus e que as demais religiões podem levar-nos a um perigoso retrocesso em nosso conhecimento d'Ele. As outras religiões teoricamente estão mais sujetas a desenvolver hábitos estranhos. Elas podem ser um "caminho" para Deus e uma pedra de tropeço para um cristão. Esta perspectiva nos leva a tolerar a religião alheia como uma possível forma de contato com a verdadeira divindade, mas não ideal. E desejamos o contato ideal, pois a rejeição à revelação maior é um erro profundamente grave. Um Deus muito enfeitado pode deixar de ser o verdadeiro Deus e se tornar um ídolo falsamente adorado, não apenas um Deus com máscaras humanas. A natureza não nos revela apenas traços da existência de Deus, mas também traços de Seu eterno caráter.

Isto está bem longe de dizer que todas as religiões são verdadeiras e que tudo o que elas tem a oferecer é positivo e aceitável por Deus e pelo cristianismo. Nem mesmo quer dizer que todos os religiosos poderão desfrutar da bem-aventurança dos santos, pois embora muitos destes religiosos sejam irrepreensíveis dentro de sua crença seriam inconciliáveis com o novo estado. O exclusivismo é verdadeiro quando se trata da veracidade do Deus cristão e de Jesus como o Seu único Mediador.

Somos levados então a crer que o teólogo Karl Barth foi coerente ao dizer que todos os adéptos das outras religiões poderão apegar-se a Cristo e ao Seu sacrifício nesta vida ou na outra.

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Familia, Liberdade e Salvação


"Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais . Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor." (Josué 24.15)

No protestantismo contemporâneo temos infelizmente visto o desenvolvimento da irracionalidade e o apego a crenças óbviamente mesquinhas e contraditórias. A teologia da saúde e da prosperidade e o carismatismo são alguns exemplos destas aberrações que iludem pessoas ingênuas e sedentas por felicidade.

O texto bíblico acima tem por muito tempo servido para confirmar a pregação de que todos os familiares dos cristãos serão salvos mais cedo ou mais tarde. Muitos líderes responsabilizam os membros de sua igreja pelo fato dos seus filhos, irmãos e pais não terem se convertido ainda. Os membros, por outro lado se sentem frustrados não sabendo se a culpa está na sua ausência de fé ou de testemunho cristão.

Muitas "Bíblias de promessas" trazem o versículo grifado como se fosse uma promessa de Deus para todos os cristãos autênticos, mas ao observarmos podemos ver que não se refere a uma promessa divina. Mesmo que fosse uma promessa de Deus para Josué e não de Josué para Deus deveríamos perceber que esta viria a ser uma promessa individual e não necessariamente aplicável a todos os demais cristãos.

Embora possuamos um dever cristão para com os nossos familiares não podemos esquecer que estes são livres para rejeitar ao apelo de Cristo. Não temos tal capacidade de "predestinar" a escolha de nossos entes queridos.

Paulo de Tarso foi um grande conhecedor deste verdade. Podemos vê-lo reconhecer a possibilidade de um cristão servir a Deus verdadeiramente enquando a sua casa o despreza. Ele mesmo diz em 1 Coríntios 7.15, 16:

"Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não esta sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz. Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?"

Não devemos colocar sobre os nossos ombros responsabilidades que não possuímos para não nos sobrecarregarmos.

Não quero dizer porém, que não devemos lutar pela conversão destas pessoas. Quero dizer que devemos fazer isto tomando o cuidado de não criar falsas expectativas. Em caso de frustração, Deus e nossa nova família deverão fornecer o consolo necessário. Possuimos uma nova família composta por vários filhos de Deus espalhados pelo mundo, vivos e mortos:

"Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos. Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna." Marcos 10:28- 30.

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