A falácia da falsa dicotomia (também pode ser chamada de falácia de falso dilema, falácia de pensamento preto e branco, ou falácia de falsa bifurcação), descreve uma situação em que dois pontos de vista alternativos - freqüentemente, mas não necessariamente, dois extremos de um espectro de possibilidades - são colocados como sendo as únicas opções, quando na realidade existe uma ou mais opções que não foram consideradas.
É de entristecer a ausência de pensamento crítico em alguns grupos (sejam eles ateistas ou religiosos) quando nos é proposta aquela velha ladainha:
1. Ou Deus existe ou o evolucionismo é verdadeiro;
2. O evolucionismo é verdadeiro;
3. Logo, Deus não existe.
A afirmação de que o teismo e a teoria evolucionista são incompatíveis não pode ser logicamente justificada. Primeiramente a evolução é irrelevante para a veracidade do teismo propriamente dito já que os naturalistas tem fracassado ao tentar demonstrar que Deus é uma figura descartável no processo evolutivo mantendo a possibilidade do mesmo ser apenas um meio pelo qual Ele trabalha.
Em segundo lugar, não vejo problemas em abrir mão da doutrina da inerrância bíblica para afirmar que tendo sido a pergunta "de onde viemos?" uma pergunta inquietante para os escritores bíblicos possa em muito tê-los guiado ao desenvolvimento de explicações mitológicas das origens, afinal todos os demais grupos religiosos possuiam suas explicações para a origem do mundo forçando-os a fazer o mesmo.
O fato de os povos primitivos terem criado vários mitos da Criação não implica no fato de que Deus não exista ou de que não seja o Criador do universo. Deus pode Ser o Guia por tráz da evolução biológica das espécies já que a própria idéia de "evolução" torna a teoria de casualidade absurdamente falsa.
Por isso, não posso concordar com a tola pregação de que o evolucionismo é necessáriamente uma explicação naturalista simplesmente por ir contra os mitos criados por este povos limitados em seus tempos sobre os seus conhecimenos acerca do mundo.
Qualquer dúvida que venha a ser levantada sobre o evolucionismo biológico é simplesmente científica e não sobre a veracidade da inspiração bíblica já que sua mensagem consiste essêncialmente na afirmação de que Deus existe e de que todos os seres vivos existem debaixo de Seu Propósito. A afirmação de que o evolucionismo é verdadeiro não derruba a hipótese Deus assim como não o fazem as demais leis da natureza, tornando-se simplesmente mais uma de suas leis. O teismo cristão assim, não está irremediávelmente comprometido com uma Criação de 6 dias literais.
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domingo, 26 de dezembro de 2010
Ateus, Moralidade e o Antigo Testamento
Muitos ateus crêem ingenuamente poder refutar a moralidade do Deus cristão apelando para as "atrocidades feitas por Ele no Antigo Testamento". Não estão sinceramente com o coração aberto para os contextos que envolvem os relatos tão desgastados em seus discursos. Realmente os ateus não querem cooperar.
Para esta objeção formulei o seguinte argumento:
1. Se nenhum Deus existe, valores morais objetivos também não existem;
2. Se valores morais objetivos existem, existe um Deus que os determina;
3. Se o Deus cristão está moralmente errado outro Deus deve estar moralmente correto;
4. Logo, o ateismo considerando as duas hipóteses continua sendo falso.
Acredito que se a afirmação de que o Deus cristão é imoral fosse verdadeira a conclusão que teriamos que aceitar é a de que a crença politeista é respeitável e a de que existe algum outro Deus superior à divindade cristã que é moralmente correto e não a de que não exista nenhum Deus bom. Se o Deus cristão está errado qual Deus está certo?
A cogitação de um Deus mal não se aplica ao monoteismo, mas apenas à uma cosmovisão politeista hierárquica. Cabe aqui ao ateu ou apegar-se à hipótese do outro Deus, abrir mão do seu "argumento moral" ou então abrir o coração para a explicação contextualizada do Antigo Testamento, pois tal alegação ateista faz do ateismo duplamente falacioso.
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Significado e Perda em Pascal
"Não se pode provar que Deus existe. Mas se Deus existe, o crente ganha tudo (céu) e o descrente perde tudo (inferno). Se Deus não existe, o crente nada perde e o descrente nada ganha. Portanto, há tudo a ganhar e nada a perder ao acreditar em Deus.”Recentemente são muitas as críticas que tem sido levantadas - tanto por religiosos quanto por ateus - à clássica e tão discutida aposta pascalina. Muitos crêem já tê-la refutado em sua totalidade e embora prefira trabalhar com argumentos para a existência (e não com argumentos para a crença na existência) de Deus gostaria de "aliviar" para Pascal. Tive a oportunidade de nestes últimos dias ler um destes textos ateistas que apresentam algumas destas clássicas objeções à aposta do filósofo e matemático francês.
Tanto ateus quanto teistas cristãos são unânimes em afirmar que a vida "aqui" se vive uma só vez. Outra afirmação também de ambos os partidos é que a vida é valiosa e deve ser vivida da maneira mais significativa possível. Eles divergem é sobre qual é a forma de se viver mais significativamente: teista ou ateista.
2. A vida não pode ser desperdiçada com filosofias desorientadoras;
3. Ou o ateismo ou o teismo eleva a vida em sua forma mais plena.
Considerando o ateismo não posso concordar com parte da primeira premissa. Se Deus não existe realmente a vida humana continua sendo curta, mas este fato aliado a outro de que ela é única não faz dela mais valiosa a não ser subjetivamente falando. Se passarmos para o campo das subjetividades uma forma de vida religiosa ou "auto-negadora" também pode ser subjetivamente valiosa. Não posso crer que partindo de uma perspectiva materialista de vida que não havendo um Deus haja diferença em se crer ou não se crer nele mesmo que a religião se baseie em um teórico futuro de bem-aventuranças. Se Deus não existe uma vida religiosa é somente uma vida religiosa e qualquer frustração de que ela pode oferecer é somente uma frustração assim como uma pedra é uma pedra.
A grande questão é que em sua maioria, os grupos teistas e ateistas acreditam na afirmação de que a vida possui um significado objetivamente relevante e embora, muitos ateus neguem, isto não é possível sem a existência de um Deus. Se esta afirmação de que a vida transcende a mais extrema forma de materialismo for verdadeira Deus tem que existir mesmo que não possamos capacidade de conhecê-lo em Sua plenitude. Creio que baseado nisto um argumento pode ser proposto da seguinte maneira:
1. Se o ateísmo é verdadeiro a vida não possui um significado objetivo;
2. Se a vida não possui um significado objetivo a alegação de que o ateísmo é superior ao teísmo ou uma forma mais significativa de viver é simplesmente subjetiva;
3. Logo, a própria veracidade do ateísmo é irrelevante para sustentar a sua superioridade.
Podemos concluir que somente vale a pena a aposta em uma visão da vida que vai além do mero materialismo. Se o ateismo é verdadeiro e a vida não possui um significado objetivo relevante tanto faz qual aposta for feita, pois a vida possui simplesmente um valor ilusório que damos à ela. Sendo o ateísmo verdadeiro a "aposta" envolve uma mera briga para saber quem tem a razão. Se uma aposta pode ser verdadeiramente tida por melhor, esta aposta aponta inevitavelmente para o teismo.
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O Perdão é Condicional?
A Bíblia apresenta o amor como o resumo do mandamento divino e o perdão como o meio pelo qual Deus salva a humanidade. O amor porém, não implica necessariamente em perdão. O primeiro é incondicional e o segundo está sujeito à postura do objeto amado. Mateus 6,14, 15 nos apresenta um perdão condicional ao afirmar : "Porque, SE perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; SE, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas". Lucas 17.3, 4 prega o mesmo: "SE teu irmão pecar contra ti, repreende-o; SE ele se arrepender, perdoa-lhe".Fica explícito nestes textos que o perdão está condicionado a fatores geralmente não considerados e ao contrário do que a maioria cristã crê Jesus não ensinou que se deve perdoar a todos, mas sim amar a todos. Somente devem receber perdão os que estão gozando de um sincero arrependimento. João 3.16, nos dá uma boa noção do que a Bíblia nos quer dizer com isto: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele".
Jejum e Oração
Ao ler a Bíblia me parece que o jejum possui simplesmente o mesmo significado cultural que a prática de rasgar as vestes e lançar cinzas sobre a própria cabeça. É uma forma cultural de se exprimir algum sentimento em um relacionamento com Deus.
Não creio que o jejum em si mesmo seja mais eficaz neste processo a não ser subjetivamente e penso que os cristãos que fazem uso do mesmo em suas "batalhas espirituais" estejam enganados ao defender sua imprescindibilidade, pois não encontro nenhuma motivação lógica para pensar o contrário.
Apesar de um cristão poder muito bem viver sem jejuar é fato que o jejum não está totalmente desligado de nossa sociedade e por ainda carregar um significado elevado possui uma certa validade nos levando a crer que pode ser uma alternativa interessante para uma busca espiritual, mas de maneira alguma imprescindível.
Por outro lado, uma sociedade que não se dedica à oração sem sombra de dúvida envolve uma perda muito maior, pois a oração não é uma simples questão cultural e descartável. Ela sim é uma forma de comunicação imprescindível para um cristão em qualquer sociedade que ele viva.
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Deus Ama o Diabo?
Minha análise aqui creio ser muito filosófica, mas também muito teológica. Embora eu seja agnóstico em relação a existência do diabo e possua uma confissão pessoal não posso negar que além de seu valor teológico que um assunto em especial que o envolve pode muito nos ensinar sobre o amor de Deus e Sua natureza.
Na questão sobre a existência do diabo e a confissão da inerrância o erro dos inerrantistas é não entender que inspiração não implica necessariamente em inerrância. Se limitar a pressupor a doutrina da inerrência bíblica como um fato e conceber que os que divergem em tal ponto devem sustentar o ônus da prova constitui uma falácia da ignorância por considerar que sua visão é verdadeira simplesmente porque aparentemente não pode-se provar o contário.
Independentemente da existência do diabo ser real ou não a demonização promovida pelas igrejas cristãs e suas teorias conspiratórias tem tomado o lugar que deve privilegiar a Deus. Aliando isto ao fato de que a cultura brasileira está totalmente imersa nestas crenças e que possuímos uma grande influência por parte dos protestantismos pentecostal e neopentecostal podemos perceber que um dos sentimentos que estão relacionados aos demônios além do medo é o ódio.
Pode ficar tranquilo, pois não vou perder tempo falando sobre "pérolas" de Roger Morneau, Daniel Mastral, Josué Yrion, tio Chico, Mary Baxter, Bill Wiese, Rebecca Brown e outros. A proposta aqui é que sendo atacados constantemente pelas pregações sobre demônios e pelos extravagantes exorcismos somos levados à uma pergunta interessante: biblicamente Deus ama o diabo?
Eu já estava começando a ficar muito irritado com as apresentações de frases triunfalistas já prontas de alguns dos membros da minha igreja como "quem está revoltado com o diabo aqui?", "quem está com raiva do diabo?" ou "quem quer queimar o diabo?". Dá para se perceber com isto qual é o nível de interesse e instrução que a maioria deles possui sobre tais questões e como é difícil manter um diálogo que não se desvie rapidamente para este tipo de pergunta constrangedora.
Certa vez em um ônibus a caminho de casa esta foi uma questão abordada por mim e por um amigo meu. Ao perguntar-me sobre a perspectiva bíblica sobre o sentimento de Deus para com o diabo e os demônios ele teve uma grande surpresa: Segundo a Bíblia Deus ama o diabo, eu respondí.
A ironia por parte dele me irritou muito. Detestei a forma com que ele veio a me olhar. Com um olhar fuzilante que mais parecia dizer "eis aí mais um herege que precisa de ajuda e de um pouco de juízo" tentava me convencer do contrário já que esta minha crença, segundo ele, era tão absurda. Depois disto caímos em um tempestuoso debate. Me lembro ainda hoje como aquele dia foi horroroso.
Partindo do que as pessoas entendem por "diabo", um anjo caído, perdido e malígno eu entrei aos poucos no assunto. Eu me baseava em dois atributos conhecidos de Deus para defender minha posição de que Deus ama o diabo:
1. A Bíblia apresenta um Deus que ama incondicionalmente;
2. A Bíblia apresenta um Deus que é imutável.
Eu defendí que o amor de Deus não está limitado a postura do sujeito amado e que partindo do fato de que biblicamente Deus ama os pecadores e abomina o pecado deve-se concluir que o diabo pertence a este quadro. Se o pecador é mais ou menos culpado ou já está ou não condenado isto é totalmente irrelevante ante esta realidade já que na visão destes teólogos o diabo não é uma personificação do mal e a existência do mal independe dele.
Em meu segundo argumento eu defendí que dado o fato de que Deus é imutável deve-se chegar à conclusão de que Ele não odeia o diabo, do contrário seria necessário admitir que Ele não o criou com amor para negar tal mudança. Deus está fora do tempo, é onisciente e não pode mudar sua postura em relação ao seu sentimento pelo diabo mesmo que devido à uma rebelião defendida por parte da tradicão teologica pareça ter razões para tal. Se Deus não pode ficar surpreso com o diabo "caindo" ou mudando de lado não pode mudar de postura e odiá-lo depois que o criou com amor.
Eu sustentei diante de meu amigo que a única forma de eu mudar de opinião seria se ele provasse o contrário. Ele deveria primeiramente propor uma explicação conciliadora entre a afirmação de que Deus não ama o diabo e os Seus dois atributos por mim citados e em seguida argumentar porque deve-se teológicamente afirmar que Deus o odeia.
Parece-me que o que tem dificultado a compreensão das pessoas nesta proposta é confundir idéais bem íntimas, mas muito diferentes. Amar o diabo não quer dizer que deve-se pregar o Evangelho para ele ou crer na sua conversão, muito menos ainda quer dizer que se deve seguir sua filosofia ou abraçar sua "amizade". Isto não seria amor. Este implica simplesmente em seguir o mandamento divino de amar livremente todas as pessoas sem qualquer tipo de ressalva. O amor nos leva a termos uma mistura de alegria e tristeza com o triste fim do diabo e demais anjos.
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Porquê Nosso Conhecimento de Deus Está Sujeito a Revelação dEle.
"Quando se trata de conhecer a Deus, toda a iniciativa depende dEle. Se Ele não se quiser revelar, nada do que façamos nos permitirá encontrá-lo."
C. S. Lewis
É fato que a revolução que vem se desenvolvendo nestas últimas seis décadas na filosofia anglo-americana acerca da respeitabilidade intelectual da existência de Deus é algo muito entusiasmante. Temos visto que grandes filósofos das universidades mais privilegiadas, que acreditam em Deus e na Bíblia tomaram o espaço que antes era dominado por céticos como Bertrand Russel, Willard Van Orman Quine e Alfred Ayer. Dawkins, Hitchens, Dennet e Harris por outro lado não possuem nehum discurso filosófico sofisticado para a questão da existência de Deus. Não há a necessidade de muito esforço para perceber que o livro "Deus, um Delírio", a alma do neoateísmo é uma aberração sem tamanho. Nesta revolução que temos visto na filosofia cristã podemos destacar vários nomes como Alvin Plantinga da Universidade de Notre Dame e filósofos da Universidade de Oxford como Richard Swinburne, Robert Merrihew Adams, Bryan Leftow, além de outros como Peter van Inwagen, Dallas Willard e Eleonor Stump.
A nova geração de filósofos tem defendido que Deus é a melhor explicação para a origem do universo, a fina-sintonia existente no mesmo e para a existência de valores morais objetivos. É cômico que os ateus sem argumentos contrários se limitam a não considerar com uma mente aberta a explicação dada as questões que envolvem os relatos da ressurreição de Jesus e afirmam que estes mesmos argumentos podem ser utilizados para se provar a existência de qualquer Deus e não necessariamente a do cristão. Ressaltam ainda a possibilidade de um exclusivismo do verdadeiro Deus e sua aversão aos adéptos das falsas religiões como uma incoerência da afirmação do cristianismo. "Talvez seja o Juju da montanha... e ele te queime no inferno" é tudo o que eles tem a dizer ao propor um exclusivismo que não é justificado e que não condiz com a realidade.
Recentemente pude assistir a um debate entre William Lane Craig, considerado o maior apologista cristão da atualidade e Jamal Badawi, pensador islâmico e ficou notório que o segundo simplesmente distribuiu ataques ao cristianismo sem apresentar argumento nenhum de que o islamismo é verdadeiro. A questão é que o cristianismo possui uma tão perfeita solidez em nossa sociedade que tem ficado muito difícil argumentar contra ele, mesmo que ele apresente alguns problemas.
Minha pergunta consistiu em "em que estas pessoas sem qualquer evidência crêem tão firmemente em sua religião?" e pude perceber que vários cristãos estão totalmente sem conhecimento deste alvorecer da fé cristã e sujeitos a mesma realidade de outros religiosos.
O argumento mais utilizado a favor do cristianismo é o que pode-se chamar de "argumento ressurrecional". O mesmo afirma que dadas as afirmações que envolvem a morte de Jesus e as evidências para a tumba vazia, os relatos sobre as aparições post-mortem e o surgimento da crença cristã na ressurreição de Jesus mesmo diante das mais contrárias circunstâncias a explicação sobrenatural é a que possui maior plausibilidade do que as explicações alternativas naturalistas.
Alguém poderia dizer que Deus por muito tempo se ocultou propositalmente da humanidade a fim de não ser incomodado. Foi surpreendido tentando se esconder eternamente do homem, mas este em sua astúcia flagrou Deus em Seu banho matinal. O problema em tal homem dizer isto é porque torna Deus um refém do conhecimento humano quando na verdade penso que as coisas são o contrário. Para isto irei unir três conceitos diferentes: a basicalidade da crença em Deus de Alvin Plantinga, O Deus enganador de René Descartes e a Revelação de Deus proposta por Clives Stanples Lewis na frase mencionada.
Suponhamos porém, que o verdadeiro Deus seja Alá. Os islâmicos pregam que o seu Deus iludiu os cristãos sobre a figura de Jesus e por isto não há necessariamente uma contradição entre a afirmação dos cristãos e as suas:
a) a melhor explicação para o túmulo vazio, as aparições post-mortem e o surgimento do cristianismo é que Jesus ressussitou dos mortos;
b) Alá iludiu os cristãos fazendo-os pensar que Jesus é o verdadeiro Deus.
Um islâmico poderia propor o seguinte argumento:
a) Alá possui motivos moralmente justificáveis para enganar os cristãos ou permitir que estes sejam enganados;
b) As evidências apontam ilusóriamente para o cristianismo como a verdadeira religião;
c) Através de um testemunho interior eu sei que Alá é o verdadeiro Deus;
d) Comunicar-me interiormente com Alá constitui uma crença básica, independente de evidências externas e portanto racional se Alá existir.
Creio que um islâmico poderia coerentemente oferecer esta explicação a um cristão caso Alá fosse o verdadeiro Deus. Parece-me que o fato de eu não ter este alegado encontro com Alá e que o cristianismo me oferece a explicação mais simples acerca da ressurreição de Jesus e do mundo que a postura mais inteligente é simplificar problemas em lugar de optar por "explicações mais elaboradas", mas percebo que esta é uma mera forma de demonstrar que nós é que somos reféns do conhecimento divino e de Sua Revelação de Si mesmo.
Não parece-me ser uma alegação absurda se feita por um religioso já que o próprio cristianismo não nega a possibilidade de ocorrências sobrenaturais fora de sua esfera e inegavelmente afirma a existência de demônios enganadores que podem desviar do verdadeiro caminho. Outros cristãos vão além e até mesmo apelam para a vinda futura de um falso Cristo que opera os mais impressionantes sinais e milagres e nos leva a concluir que nesta perspectiva sobrenaturalidade não é prova de divindade. Não possuímos ainda um "Xeque mate" cristão nestas discussões e não acredito que haja um problema nisto.
O nosso conhecimento está intimamente ligado à Revelação divina. Deus poderia muito bem criar um mundo em que aparentemente não tivessemos qualquer evidência de sua existência e assim mesmo existir. Poderia levar-nos sempre a concluir a sua inexistência como poderia fazer-nos também pensar que 2+2 são 5 todas as vezes que nos dedicássemos aos cálculos.
Talvez, Deus não possui muita necessidade de provar a Sua existência na história da humanidade porque sabe que o homem sempre esteve inclinado ou obrigado a isto ao crer em um sentido significativo para a sua própria existência e em valores morais objetivos. Se Deus criou um buraco no coração do homem e o homem mesmo que não pudesse ver evidência para crer n'Ele se sentisse constrangido a isto não há assim uma necessidade tão grande de Deus provar-Se a não ser no interior humano.
Não devemos de maneira nenhuma, portanto, descartar o principal argumento a favor da existência de Deus que muitos tem chamado de "argumento experiêncial". A única forma segura de conhecer o Deus verdadeiro. O Deus cristão esta aberto para este encontro.
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C. S. Lewis
É fato que a revolução que vem se desenvolvendo nestas últimas seis décadas na filosofia anglo-americana acerca da respeitabilidade intelectual da existência de Deus é algo muito entusiasmante. Temos visto que grandes filósofos das universidades mais privilegiadas, que acreditam em Deus e na Bíblia tomaram o espaço que antes era dominado por céticos como Bertrand Russel, Willard Van Orman Quine e Alfred Ayer. Dawkins, Hitchens, Dennet e Harris por outro lado não possuem nehum discurso filosófico sofisticado para a questão da existência de Deus. Não há a necessidade de muito esforço para perceber que o livro "Deus, um Delírio", a alma do neoateísmo é uma aberração sem tamanho. Nesta revolução que temos visto na filosofia cristã podemos destacar vários nomes como Alvin Plantinga da Universidade de Notre Dame e filósofos da Universidade de Oxford como Richard Swinburne, Robert Merrihew Adams, Bryan Leftow, além de outros como Peter van Inwagen, Dallas Willard e Eleonor Stump.
A nova geração de filósofos tem defendido que Deus é a melhor explicação para a origem do universo, a fina-sintonia existente no mesmo e para a existência de valores morais objetivos. É cômico que os ateus sem argumentos contrários se limitam a não considerar com uma mente aberta a explicação dada as questões que envolvem os relatos da ressurreição de Jesus e afirmam que estes mesmos argumentos podem ser utilizados para se provar a existência de qualquer Deus e não necessariamente a do cristão. Ressaltam ainda a possibilidade de um exclusivismo do verdadeiro Deus e sua aversão aos adéptos das falsas religiões como uma incoerência da afirmação do cristianismo. "Talvez seja o Juju da montanha... e ele te queime no inferno" é tudo o que eles tem a dizer ao propor um exclusivismo que não é justificado e que não condiz com a realidade.
Recentemente pude assistir a um debate entre William Lane Craig, considerado o maior apologista cristão da atualidade e Jamal Badawi, pensador islâmico e ficou notório que o segundo simplesmente distribuiu ataques ao cristianismo sem apresentar argumento nenhum de que o islamismo é verdadeiro. A questão é que o cristianismo possui uma tão perfeita solidez em nossa sociedade que tem ficado muito difícil argumentar contra ele, mesmo que ele apresente alguns problemas.
Minha pergunta consistiu em "em que estas pessoas sem qualquer evidência crêem tão firmemente em sua religião?" e pude perceber que vários cristãos estão totalmente sem conhecimento deste alvorecer da fé cristã e sujeitos a mesma realidade de outros religiosos.
O argumento mais utilizado a favor do cristianismo é o que pode-se chamar de "argumento ressurrecional". O mesmo afirma que dadas as afirmações que envolvem a morte de Jesus e as evidências para a tumba vazia, os relatos sobre as aparições post-mortem e o surgimento da crença cristã na ressurreição de Jesus mesmo diante das mais contrárias circunstâncias a explicação sobrenatural é a que possui maior plausibilidade do que as explicações alternativas naturalistas.
Alguém poderia dizer que Deus por muito tempo se ocultou propositalmente da humanidade a fim de não ser incomodado. Foi surpreendido tentando se esconder eternamente do homem, mas este em sua astúcia flagrou Deus em Seu banho matinal. O problema em tal homem dizer isto é porque torna Deus um refém do conhecimento humano quando na verdade penso que as coisas são o contrário. Para isto irei unir três conceitos diferentes: a basicalidade da crença em Deus de Alvin Plantinga, O Deus enganador de René Descartes e a Revelação de Deus proposta por Clives Stanples Lewis na frase mencionada.
Suponhamos porém, que o verdadeiro Deus seja Alá. Os islâmicos pregam que o seu Deus iludiu os cristãos sobre a figura de Jesus e por isto não há necessariamente uma contradição entre a afirmação dos cristãos e as suas:
a) a melhor explicação para o túmulo vazio, as aparições post-mortem e o surgimento do cristianismo é que Jesus ressussitou dos mortos;
b) Alá iludiu os cristãos fazendo-os pensar que Jesus é o verdadeiro Deus.
Um islâmico poderia propor o seguinte argumento:
a) Alá possui motivos moralmente justificáveis para enganar os cristãos ou permitir que estes sejam enganados;
b) As evidências apontam ilusóriamente para o cristianismo como a verdadeira religião;
c) Através de um testemunho interior eu sei que Alá é o verdadeiro Deus;
d) Comunicar-me interiormente com Alá constitui uma crença básica, independente de evidências externas e portanto racional se Alá existir.
Creio que um islâmico poderia coerentemente oferecer esta explicação a um cristão caso Alá fosse o verdadeiro Deus. Parece-me que o fato de eu não ter este alegado encontro com Alá e que o cristianismo me oferece a explicação mais simples acerca da ressurreição de Jesus e do mundo que a postura mais inteligente é simplificar problemas em lugar de optar por "explicações mais elaboradas", mas percebo que esta é uma mera forma de demonstrar que nós é que somos reféns do conhecimento divino e de Sua Revelação de Si mesmo.
Não parece-me ser uma alegação absurda se feita por um religioso já que o próprio cristianismo não nega a possibilidade de ocorrências sobrenaturais fora de sua esfera e inegavelmente afirma a existência de demônios enganadores que podem desviar do verdadeiro caminho. Outros cristãos vão além e até mesmo apelam para a vinda futura de um falso Cristo que opera os mais impressionantes sinais e milagres e nos leva a concluir que nesta perspectiva sobrenaturalidade não é prova de divindade. Não possuímos ainda um "Xeque mate" cristão nestas discussões e não acredito que haja um problema nisto.
O nosso conhecimento está intimamente ligado à Revelação divina. Deus poderia muito bem criar um mundo em que aparentemente não tivessemos qualquer evidência de sua existência e assim mesmo existir. Poderia levar-nos sempre a concluir a sua inexistência como poderia fazer-nos também pensar que 2+2 são 5 todas as vezes que nos dedicássemos aos cálculos.
Talvez, Deus não possui muita necessidade de provar a Sua existência na história da humanidade porque sabe que o homem sempre esteve inclinado ou obrigado a isto ao crer em um sentido significativo para a sua própria existência e em valores morais objetivos. Se Deus criou um buraco no coração do homem e o homem mesmo que não pudesse ver evidência para crer n'Ele se sentisse constrangido a isto não há assim uma necessidade tão grande de Deus provar-Se a não ser no interior humano.
Não devemos de maneira nenhuma, portanto, descartar o principal argumento a favor da existência de Deus que muitos tem chamado de "argumento experiêncial". A única forma segura de conhecer o Deus verdadeiro. O Deus cristão esta aberto para este encontro.
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