quinta-feira, 14 de março de 2013

Sobre Inversão De Valores

Eu não estou comprometido com o moralismo, nem com a santidade. Não acredito nestas coisas. O único problema da inversão de valores é que eu não quero sair de minha zona de conforto. Eu vivo uma moral que também é uma inversão de outros valores, anteriores à ela.

"Guizinho também cansou da Carol. Ficou apaixonado pela Solange e todo dia aparecia para jantar na casa do Beca.- cara, estou achando que essas suas visitas não têm nada a ver com videogame.- imagina, Beca, impressão sua - respondeu com olhos vidrados, virados para a esquerda, onde a irmã mais velha do amigo colocava um calço na mesa bamba, com um decote generoso, pendendo para baixo.- que coisa maravilhosa... - suspirou Gui. Beca levantou-se de supetão.- a comida, Roberto Carlos, a comida - explicava guizinho, sem se virar." Trecho de "O Roubo das Agendas", livro de Adriana Gattermayr Ribeiro.

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terça-feira, 12 de março de 2013

Eu Neguei O Meu Amor

Eu neguei o meu amor
O que de mais verdadeiro há
E percebi que qualquer outra mentira eu seria capaz de contar

Alguém me roubou e levou o seu retrato
Me fez mais triste do que eu já era
Mais triste do que a vida combinou no contrato

O meu castelo de areia o mar derrubou
Riram de mim e nem perceberam que todos os castelos eram de areia
Todos se desfazem com o passar do tempo
Tudo o que eu queria era um momento

Não desejava morar para sempre
Construir um castelo supostamente concreto também gasta tempo
Eu era feliz por viver aquele curto momento

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Paraíso, Riqueza E Humildade

Todos foram para o paraíso, mas alguns se viciaram tanto em seus pecados que se tornaram loucos e começaram a ter alucinações e pensar que estavam vivendo no inferno.

Deus prometeu levar-me para o paraíso após a morte. Eu morri e ele cumpriu o que havia prometido. Ele enterrou o meu corpo no cemitério celestial.

Se animais não vão para o céu porque não possuem consciência, por que um feto, ou simplesmente um ser humano em fase de desenvolvimento, deveria ir?

Dizem que quebrar um espelho dá 7 anos de azar. Se isso realmente fosse verdade, provavelmente eu quebraria outro espelho 6 anos e 11 meses após quebrar o primeiro. Não quebrar um segundo espelho já seria sorte, algo que eu não poderia ter já que estaria sob a maldição do primeiro. Se quebrá-lo, entretanto, é um sinal de azar, eu tenho azar porque quebrei o espelho ou quebrei o espelho porque tenho azar?

Eu não sou feliz. Eu tenho prazeres e penso que deveria ser incapaz de tê-los, tenho mais tristezas do que prazeres. Com tanto sofrimento no mundo, como eu poderia ser feliz? Só fingindo que ele não existe ou que não é tão grave quanto parece ser.

O fato de eu apenas achar que café é melhor do que chá não quer dizer que eu não deva tomar café quando tiver ambas as opções. Eu posso viver a minha subjetividade. A empatia faz parte desta minha subjetividade e aí surge a intersubjetividade. Nós fazemos porque desejamos. Se os valores "nobres" fossem contrários à vontade dos cristãos, eles não a aceitariam. A "objetividade" não teria nenhum valor para eles.

Não tenha pena do morto. O morto não deseja viver, nem continuar morto. Ele não deseja ver o que não pode ver, ele não deseja ouvir o que ele não pode ouvir, ele não deseja tocar o que ele não pode tocar. Ele simplesmente não deseja nada.

"Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso". Acho que hoje em dia entendo melhor esta afirmação de Jesus. É possível que ele acreditasse que haveria de vir o Reino de Deus naquele mesmo dia, dada a sua crucificação. Aquele era o último momento em que isso poderia acontecer, já que Jesus estava sendo espreitado pela morte. Em sua mente havia a expectativa de cumprir as profecias de Daniel e de Mateus 24, mas acabou por frustar-se, pois não apareceu no céu para julgar a humanidade, punir os "maus" e salvar os "bons". A visão mais coerente para os teólogos liberais deve consistir em interpretar esta expressão como estar na eternidade por estar no coração de Deus. Não estando de fato nele, mas sendo lembrado nele.

Jesus deu muito valor aos pobres, mas a humildade destes, assim como a avareza dos ricos, é apresentada apenas como algo acidental. Se a pobreza faz tanto mal aqui e tanto bem no porvir e a riqueza faz tanto bem aqui e tanto mal na eternidade, Deus deveria tornar todos pobres. Desta maneira, os ricos não se perderiam em suas riquezas.

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Moral Objetiva E Existência De Deus

A maioria dos meus amigos teístas costuma dizer que a moral objetiva existe e que ela só pode existir se houver um Deus. Negam, entretanto, terem certeza de que Deus existe. Isso é algo totalmente contraditório. Se é possível que Deus não exista e a moral objetiva depende dele, isso quer dizer que a moral não é objetiva. Se ela fosse objetiva e existe a possibilidade de Deus não existir, isso quer dizer que a existência de Deus é irrelevante para a moralidade em questão. Ninguém irá negar que 2+2=4 simplesmente porque Deus não existe. Entretanto, como não é contraditório dizer que moralidade objetiva não existe, ela não pode ser objetiva.

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Sobre Jesus, Inclusão E Intenção

Se Jesus dá tanto valor à intenção, ao ponto de que o que deseja o mal do próximo é um assassino, é compreensível que um não cristão seja salvo por desejar ajudar o próximo, apesar de não saber como fazer isso corretamente, pois, como Jesus mesmo disse, quem se importa com o próximo está se preocupando com Ele, mesmo sem ter consciência disso. Se uma pessoa adora Tupã, pensando estar adorando o verdadeiro Deus, não há porque ela ser punida por disso. Ela só não adora o "verdadeiro Deus", mas apenas uma representação dele, porque não é possível saber que o Deus cristão é a única e verdadeira divindade. Se eu desejar ajudar alguém, mas não puder ajudar, segundo a moral comum não posso estar sujeito à crítica de nenhuma natureza. O mesmo deve valer para o monoteísmo. Entretanto, nunca vi ninguém ser preso simplesmente por desejar o mal do próximo ou algo do gênero.

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domingo, 10 de março de 2013

Deus, Ain Soph E Ontológico

Alguns teólogos costumam dizer que Deus transcende o ser e a existência e isso é algo totalmente descabido. A dicotomia existência/inexistência e ser/não-ser não vejo como desconsiderar. Não há como um ser existir "além da existência" e nem ser "além do ser".

Deus, definido por alguns como o Ser maximamente grande, não existe, pois o universo, o todo, é maior do que ele. Se um mundo em que as pessoas não fazem a sua vontade tira o brilho de um possível conjunto em as pessoas fazem a sua vontade, Deus, de acordo com este conceito, não pode existir. Caso Deus existisse todos os conjuntos deveriam ser iguais em valor.

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sexta-feira, 8 de março de 2013

Universos Paralelos, Divindades E Ser Maximamente Grande

Se realmente existem, como pensam vários físicos, infinitos universos paralelos, eu penso que não é bobagem acreditar na existência de unicórnios, cavalos alados, lobisomens, etc. Estes poderiam existir até mesmo em nosso universo. Talvez em fadas, duendes ou até mesmo em divindades como as gregas. É razoável pensar que seja possível encontrar várias formas de Zeus em alguns destes universos paralelos. Alguém pode dizer que os universos paralelos se resumem a possibilidades naturais, mas isso parece-me um equívoco. Por que deveriam se resumir a isso? É compreensível que alguém negue o sobrenatural em nosso universo ao alegar que não há evidências de eventos sobrenaturais, não sei dizer o que seriam estes "eventos sobrenaturais", mas não podemos negá-los em outros universos, pois não estamos neles para confirmar. Além disso, talvez exista a possibilidade de, que apesar das leis existentes serem as mesmas, que existam elementos bem exóticos em relação ao nosso universo. Talvez até existam alguns universos com um tipo de terra que seja capaz de trazer seres profundamente inteligentes e poderosos à existência, sem qualquer tipo de relação sexual e gestação. Estes seres espetaculares poderiam ter faculdades diferentes das nossas. Os universos paralelos, entretanto, não dizem nada sobre "o ser maximamente grande." De acordo com este critério, a existência de sacis, ou de formas de Zeus, é mais plausível do que o conceito cristão tradicional. Outro motivo para pensarmos isso é o fato de o paradoxo de Epicuro não ter o seu brilho comprometido por esta teoria científica. Isso parece fazer sentido para mim, embora eu possa estar totalmente equivocado, desde que as leis destes universos sejam bem diferentes das nossas e que o que entendemos por "sobrenatural" aqui possa ser apenas uma natureza com leis diferentes do universo em que vivemos. Será que estes supostos universos paralelos, com todos os padrões naturais possíveis, não poderiam conter até mesmo seres "mágicos", desde que eles sejam, de alguma forma, pensados de uma maneira diferente? Eles poderiam surgir fortuitamente em alguns destes universos e quem sabe algum dia poderemos ter contato com alguns deles.

Se Jesus, como homem, é crucificado em vários destes universos paralelos existentes, é possível que ele continue vivo após a crucificação em alguns deles, mesmo que isso pareça algo extremamente improvável. Posso imaginar um homem brincalhão, de algum universo paralelo, capaz de comunicar realidades dos universos paralelos existentes. Ele poderia, através de sua tecnologia, brincar com as nossas percepções e mandar o corpo morto de Jesus, após a crucificação, para outro universo e transferir o corpo vivo de outro Jesus para o nosso e que, apesar de nunca ter sido crucificado, acredita tê-lo sido por sofrer de esquizofrenia. Não haveria uma ressurreição de fato, apenas uma troca de realidades de universos. Se o Elvis fosse trazido de algum universo em que ele ainda esteja vivo, provavelmente acreditaríamos que ele não houvesse morrido ou tivesse ressuscitado. Eu não preciso provar a existência de universos paralelos para reconhecer esta possibilidade, pois ela é logicamente possível. O que eu devo fazer é simplesmente ser agnóstico em relação à ela, assim como ocorre com a afirmação miraculosa. Ausência de evidência não é necessariamente evidência de ausência.

Se há um universo paralelo em que eu tenha tecnologia suficiente para saber o que eu penso em outros universos e para comunicar as realidades entre eles, eu deveria "rezar" para mim mesmo, pois dificilmente eu me ignoraria.

Se eu tivesse uma nave capaz de voar em uma velocidade próxima à velocidade da luz, eu iria sair dela apenas depois de haver passado muito tempo nesta realidade, tempo suficiente para a humanidade criar a fórmula da imortalidade. Se eu avançar muito no tempo, entretanto, corro o risco de morrer. De que adianta voltar em 7 bilhões de anos, se a Terra não estará mais aqui me esperando? É pedir para morrer. Qual é o benefício de se viver vários milênios se eles parecem minutos?

Um mundo onde há Deus e pessoas que fazem a Sua vontade é supostamente melhor do que um mundo onde há Deus e pessoas que não fazem a Sua vontade. Sendo assim, o primeiro conjunto é maior do que o primeiro, que envolve Deus. O panenteísmo, portanto, não é uma explicação totalmente eficiente neste caso. Se o universo é o corpo de Deus e Ele não faz milagres, o universo está destinado à morte. A única saída é que, sem qualquer tipo de causa, ele torne-se eterno.

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