Eu penso que estes cristãos que vivem dizendo que não existe coisa difícil para Deus estão totalmente equivocados. Deus possui medo de perder aqueles que ama. É muito difícil para o mesmo ver alguém se perder.
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
Morte De Cristo, Um Escândalo
A morte de Jesus era um escândalo para os gregos porque estes se viam incapazes de conceber um Deus que pudesse morrer. Isto é escandaloso até mesmo para os principais filósofos cristãos da atualidade. Não é à toa que eles dão ao Cristo um corpo imaterial após a morte. O Novo Testamento, tanto Jesus quanto os seus discípulos, entretanto, dá ao Cristo uma posição passiva no processo de ressurreição. Ele não ressuscita a Si mesmo porque é incapaz de faze-lo. Segundo o Novo Testamento, o Verbo encarnado se fez, voluntariamente, um necessitado do miraculoso ato divino (1). Não há nele também esta dicotomia corpo-alma na pessoa humana (2).
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sexta-feira, 20 de julho de 2012
Improbabilidade, Milagre, Exclusivismo E Religiosidade
Qualquer evento altamente improvável envolto por um pano de fundo religioso será interpretado como uma demonstração de sobrenaturalidade e de confirmação da totalidade de um sistema religioso. A religiosidade cria um ambiente de expectativa em relação ao mundo e não propõe necessariamente nenhuma data específica para estes eventos acontecerem. Se existirem elementos religiosos em um possível acidente, ele será interpretado como um milagre ou um castigo divino, independentemente do dano ser muito grande ou não. Não é milagroso, no mesmo sentido, eu acertar a cesta com a bola no último minuto de uma partida de basquete, mas será assim concebido se a minha vida estiver em risco, se o evento estiver de alguma forma associado às minhas convicções religiosas ou algo do gênero. Não é um milagre ser atropelado em uma rua em que quase ninguém é atropelado, mas perder os dois braços e as duas pernas em um aquário de tubarões acaba sendo. Principalmente, se eu rezei o Pai Nosso antes de entrar naquele lugar.
O mundo está repleto de pessoas religiosas e qualquer milagre que um Deus exclusivista fizesse, mesmo que por pura misericórdia a um "rebelde idólatra", seria tido por este como um favor divino e confirmação religiosa. Isto se aplica tanto à provisão extraordinária quanto à provisão ordinária. Uma vez interiorizada a "falsa percepção", ela criaria empecilhos para as demais manifestações, pois como já foi dito em outro post, sobrenaturalidade não é prova de divindade. Se os pagãos rejeitam os últimos milagres é por causa dos primeiros milagres.
O mundo está repleto de pessoas religiosas e qualquer milagre que um Deus exclusivista fizesse, mesmo que por pura misericórdia a um "rebelde idólatra", seria tido por este como um favor divino e confirmação religiosa. Isto se aplica tanto à provisão extraordinária quanto à provisão ordinária. Uma vez interiorizada a "falsa percepção", ela criaria empecilhos para as demais manifestações, pois como já foi dito em outro post, sobrenaturalidade não é prova de divindade. Se os pagãos rejeitam os últimos milagres é por causa dos primeiros milagres.
Entrei em uma casa e encontrei as pegadas de um ser poderosíssimo pelo chão, as digitais de um ser dotado de uma vasta sabedoria, as marcas de suor de um ser repleto de uma misericórdia incompreensível, mas mesmo assim eu não pude falar que certamente fora Deus quem passara por ali. Poderiam ter sido três seres diferentes, cada um com as suas qualidades particulares. E eu, um mortal, continuaria com a minha dúvida insaciável. Deixei a casa bagunçada, pois ela representava muito bem a bagunça na minha mente.
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sexta-feira, 6 de julho de 2012
Sobre Críticos Da Teologia Inclusiva
Segundo grande parte dos teólogos não-inclusivos, a tentativa irônica de se "igualar" os valores neotestamentários e os veterotestamentários é extremamente falacioso por parte dos inclusivos. Isto porque grande parte das práticas do Antigo Testamento foi abandonada no "Novo Concerto". Sendo assim, dizer que também é bíblico se aproveitar de virgens de povos não-judeus, apedrejar filhos rebeldes, impor culpabilidade a alguém por não reconhecer o "verdadeiro" Deus só olhando para a natureza, imediatismo escatológico, "misoginia", etc. acabaria sendo um grande equívoco. Dizem ser "meio óbvio" que existem dois Concertos diferentes, mas eu discordo. Primeiramente porque o cristianismo não nega a validade do "primeiro concerto", nem fornece base, dentro de uma leitura fundamentalista, para este tipo de posição tendenciosa, pois não pode-se negar o contexto social em que determinadas perspectivas foram desenvolvidas e nem dizer que se limitam à esfera moral. Em segundo lugar, a superioridade do "Novo Concerto" consiste no fato de Jesus ser o Verbo encarnado, a Revelação Maior. Se a Revelação anterior era menor, também era frágil, como Paulo mesmo chegou a afirmar. O que põe em questão uma teologia cristocêntrica e não alguma forma de paulinismo ou tentativa fanática de propor a bibliolatria. Além disso, "Novo Concerto" não é sinônimo de Novo Testamento. Ele é expresso no Novo Testamento. É algo bem diferente. Havendo, portanto, inconsistências nas doutrinas neotestamentárias, estas são ainda mais visíveis no Antigo, do contrário, não haveria superioridade real. Um exemplo de que as pessoas costumam ignorar o contexto social é que elas fazem vistas grossas ao fato de que o anúncio da suposta volta "breve" de Jesus foi feito há aproximadamente 2 mil anos e que Paulo e Pedro, por exemplo, foram obrigados a adotar uma escatologia "menos imediatista" devido o fracasso desta perspectiva. O Novo Testamento apresenta divergências entre Jesus e seus discípulos, entre Pedro e Paulo, entre Paulo e Tiago, entre Paulo e Barnabé, etc. Jesus, a figura mais importante do cristianismo, em momento algum acusou a homo-afetividade de imoralidade. Desconsideram que o que motivou os escritores bíblicos a dizerem que o sangue animal não deve ser ingerido era a crença supersticiosa de que a vida do animal estava em seu sangue e que a mesma não existia em vegetais. Não deveriam esquecer também que o "cristianismo" não era um grupo homogêneo. Paulo e Tiago, por exemplo, apresentam perspectivas bem diferentes quanto a relação entre a Graça e as obras. Tanto que Lutero odiava o segundo... Paulo também, em Romanos 1, diz que os atributos da verdadeira divindade são óbvios através da natureza e que este fato é suficiente para tornar os não-cristãos culpáveis. Bem, não há como identificar o Deus cristão, entre tantas outras divindades, olhando só para o céu azul...
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sábado, 30 de junho de 2012
Eu E Meus Colegas Calvinistas
"Se você for calvinista não assista Karatê Kid depois das 19:00 hs. Se o calvinismo for verdadeiro você poderá ir para o inferno se morrer enquanto sonha que está matando seu vizinho. No portão do céu você não vai poder usar a desculpa: 'Senhor. No sonho não é pecado porque eu não tenho livre-arbítrio.'" Se não existe livre-arbítrio e a responsabilidade moral não o requer, eu estarei pecando se matar o meu vizinho, mesmo que este ato seja o resultado do efeito de uma droga que alguém colocou no meu copo sem eu perceber.
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Sobre Uma Teologia Cristocêntrica
Muitos cristãos ignoram o fato de que a superioridade do "Novo Concerto" consiste no fato de Jesus ser a Revelação Maior, o Verbo encarnado. Ignoram também que "Novo Concerto" não é sinônimo de Novo Testamento e que qualquer tentativa fanática de se propor a bibliolatria ou alguma forma de paulinismo acaba por fracassar. A teologia, de qualquer maneira, se propõe a ser cristocêntrica e isto é inegável.
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sexta-feira, 29 de junho de 2012
Livre-Arbítrio E Soberania
De acordo com Jean Bodin, Soberania refere-se à entidade que não conhece superior na ordem externa nem igual na ordem interna. Eu não vejo porque acreditar que Deus não seja Soberano simplesmente porque há o livre-arbítrio, mas vou deixar para tratar esta questão outra hora.
Muitos calvinistas dizem que o livre-arbítrio não existe porque Deus é Soberano. A questão é que, na visão calvinista, Deus só pode ser Soberano, e tem que ser Soberano, se o livre-arbítrio não existir. O argumento deles pode ser resumido neste seguinte silogismo:
1. Se há livre-arbítrio Deus não é Soberano;
2. Deus é Soberano;
3. Logo, livre-arbítrio não existe.
O interessante é que este argumento está intimamente ligado à ideia de Deus, o Ser maximamente Grande. O problema é que a definição de Deus deve envolver o atributo de Onipotência, ou seja, a capacidade de fazer qualquer coisa logicamente possível, e também a ideia de mundos possíveis. A pergunta é: o Ser maximamente Grande é capaz de criar seres dotados de livre-arbítrio? Observem bem. A minha pergunta não é se existem seres dotados de alguma forma de liberdade, mas se Deus seria capaz de criá-los, podendo estes, existir em algum mundo possível. Se o calvinista me disser "sim. Como Deus é onipotente, Ele poderia criar um mundo possível onde tais seres existissem" a conclusão a que chegaríamos é que o livre-arbítrio não fere a "Soberania" divina, pois na perspectiva contrária Deus não seria Soberano em todos os mundos possíveis. Se o calvinista, entretanto, dizer o contrário o ônus da prova passa a ser dele. Caberá a ele, provar que Deus não pode criar seres com alguma forma de liberdade.
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Muitos calvinistas dizem que o livre-arbítrio não existe porque Deus é Soberano. A questão é que, na visão calvinista, Deus só pode ser Soberano, e tem que ser Soberano, se o livre-arbítrio não existir. O argumento deles pode ser resumido neste seguinte silogismo:
1. Se há livre-arbítrio Deus não é Soberano;
2. Deus é Soberano;
3. Logo, livre-arbítrio não existe.
O interessante é que este argumento está intimamente ligado à ideia de Deus, o Ser maximamente Grande. O problema é que a definição de Deus deve envolver o atributo de Onipotência, ou seja, a capacidade de fazer qualquer coisa logicamente possível, e também a ideia de mundos possíveis. A pergunta é: o Ser maximamente Grande é capaz de criar seres dotados de livre-arbítrio? Observem bem. A minha pergunta não é se existem seres dotados de alguma forma de liberdade, mas se Deus seria capaz de criá-los, podendo estes, existir em algum mundo possível. Se o calvinista me disser "sim. Como Deus é onipotente, Ele poderia criar um mundo possível onde tais seres existissem" a conclusão a que chegaríamos é que o livre-arbítrio não fere a "Soberania" divina, pois na perspectiva contrária Deus não seria Soberano em todos os mundos possíveis. Se o calvinista, entretanto, dizer o contrário o ônus da prova passa a ser dele. Caberá a ele, provar que Deus não pode criar seres com alguma forma de liberdade.
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