É fato sabido que a tradução Revista e Corrigida da Bíblia foi feita comparando-se sempre o texto da tradução King James, em Inglês, feita originalmente em 1611 por um grupo de filólogos contratados pelo rei, daí o nome "King James", ou "rei Tiago".
Por causa disto alguns textos excelentes bem traduzidos na King James chegaram até nós com a mesma força. Ela é considerada, nos países de fala inglesa, a "Authorized Version", o que significa a tradução oficial, autorizada pela Igreja da Inglaterra, a Igreja Anglicana, a religião oficial dos britânicos. Enquanto isto, alguns pequenos problemas da tradução também chegaram até nós. É o caso de Mateus 5:22: "Eu, porém, vos digo que qualquer que, SEM MOTIVO, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo." Neste versículo existe um desses casos: um acréscimo.
Quando o rei Tiago contratou os sábios tradutores para traduzirem a Bíblia, seu irmão havia discordado do rei de algum fato da corte e o rei ficou encolerizado contra ele e até mesmo sem dirigir-lhe a palavra.
Na hora de traduzir este texto, algum bajulador real teve uma "excelente" idéia "teológica". Semelhante àquele pintor que retratou um rei que era cego de um olho fazendo pontaria com uma espingarda e, por conseqüência, fechando um olho, este sábio filósofo resolveu acrescentar a expressão "SEM MOTIVO", para agradar ao rei, querendo dizer que, desde que haja um motivo, podemos nos encolerizar contra o irmão. É claro que a aludida expressão não se encontra no original.
Quanta irreverência diante do texto sagrado!
Você já viu alguém ficar encolerizado com outro sem motivo?
As versões RV e TB e tiraram completamente o malfadado acréscimo, enquanto que a RA, sempre cautelosa, colocou a bajulação real entre colchetes.
Fonte: O Que a Bíblia Não Diz, de Paulo de Aragão Lins
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Meu Argumento Cumulativo do Aniquilacionismo
Recentemente participei de um debate onde defendia o tão criticado aniquilacionismo. Minha proposta era apresentar meus argumentos contra o imortalismo universal e a favor do que eu chamo de existência moralmente aceitável. Eu me baseio na afirmação feita dos mundos possíveis.
Guiado pelo princípio de Anselmo de que Deus é o Ser que nada maior ou mais perfeito pode-se pensar tentei demonstrar que se o aniquilacionismo é uma melhor explicação para um mundo sujeito ao juízo divino do que o conceito clássico de "Juízo eterno", este deve ser falso.
Parti da tese de que não é moralmente reprovável que os maus não sejam atormentados eternamente, mas sim que os maus existam para sempre mesmo que em uma condição tida por não muito satisfatória, pois a perpetuação do pecador levá-nos inevitávelmente à perpetuação do pecado. Deve-se lembrar que é um argumento cumulativo e que a colaboração de vários fatores encaminha-nos para a afirmação de que o aniquilacionismo é uma visão mais plausível do que a visão tradicional do Juízo divino.
Creio que meus argumentos podem possuir várias formulações e gostaria apenas de apresentar algumas delas:
1. Deus ao punir os maus tem em vista um mundo moralmente perfeito;
2. A imortalidade dos pecadores implica na perpetuação da imoralidade e em um mundo moralmente imperfeito;
4. O aniquilacionismo não implica necessariamente em ausência de punição e não é em nada inferior ao imortalismo;
5. O aniquilacionismo implica em um mundo moralmente perfeito e é superior ao imortalismo;
6. O imortalismo é falso e o aniquilacionismo é a melhor explicação para o Juízo Final.
1. A Moral cristã implica na crença de que Deus tem em mente que Sua Criação deve ser moralmente responsável e moralmente perfeita;
2. O tormento eterno implica na existência de uma Criação moralmente responsável, mas não moralmente perfeita.
3. O aniquilacionismo implica na existência de uma Criação moralmente responsável e moralmente perfeita.
1. Um mundo onde o mal não existe é melhor do que um mundo onde o mal existe, exceto quando um mal é necessário para um bem ainda maior;
2. A existência do mal moral no mundo é filosoficamente justificada pela existência de um livre-arbítrio;
3. O livre-arbítrio não é filosoficamente uma justificativa suficiente para a eternidade do mal moral.
1. Existe uma lei que cerca o mundo que determina o que é e o que não é perfeito e que tem por finalidade criar um mundo moralmente perfeito;
2. O mundo em que vivemos é moralmente imperfeito porquê não está de acordo com os princípios originais de um Deus Perfeito;
3. Este Deus Perfeito prega que criará um mundo moralmente perfeito e considerando que Ele é Perfeito em compreensão e poder temos boas razões para acreditar n'Ele;
4. Se o pecador for atormentado eternamente, o pecado será perpetuado e o mundo não será moralmente perfeito mesmo que Deus tenha a eternidade feliz para os salvos;
5. Sendo a Lei de Deus perfeita deve ser imutável e não pode em certo momento ver o pecado como algo que deve ser exterminado e em outro eternizá-lo para promover o sofrimento;
7. O sofrimento não é a única, nem mesmo a melhor forma de punição;
8. A única forma de exterminar o pecado é não havendo mais quem o pratique;
9. O pecado pode ser extinguido do mundo através da conversão de um pecador e em um último caso destruindo-o para sempre;
10. A doutrina do tormento eterno não pode ser racionalmente conciliada com a doutrina de um Deus moralmente Perfeito porque um Deus moralmente Perfeito não pode tolerar a perpetuação da imoralidade.
Com os argumentos acima eu quero primeiramente afirmar que o tormento eterno dos maus implica no imortalismo universal e que o imortalismo universal implica na perpetuação do mal no mundo, inclusive a perpetuação do pecado. Em segundo lugar, eu creio que a alegação de que Deus não pode tolerar a perpetuação injustificada da imoralidade (que é algo moralmente errado) no mínimo razoável. Também me parece que Deus ao criar o homem teve o interesse em criar um mundo como uma descrição de Seu caráter e que isto não inclui apenas um mundo com seres que possuem uma responsabilidade moral, mas que também são moralmente perfeitos tendo assim que negar um forçado universalismo e o próprio imortalismo tradicional.
Sendo Deus um Ser universal não creio que possa limitar-se a um regionalismo promovendo a "suprema santidade" no céu e largando um "inferno" ao pecado. Isto O faria igual à uma dona de casa que fingindo varrer a casa esconde a sujeira embaixo do tapete, onde ninguém vê.
É importante desfazer um mal entendido no meio cristão. Caso alguém afirme que as pessoas condenadas estarão tão assombradas com o seu fim que não mais estarão possibilitadas de pecar e prolongar a imoralidade digo que não devemos restringir o pecado as práticas que envolvam ações mais elaboradas já que pode-se pecar com simples pensamentos e que a definição de pecador aqui tratada não é "aquele que peca", mas "aquele que está manchado pelo pecado".
Tratarei futuramente de possíveis problemas que envolvem a minha teoria.
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Parti da tese de que não é moralmente reprovável que os maus não sejam atormentados eternamente, mas sim que os maus existam para sempre mesmo que em uma condição tida por não muito satisfatória, pois a perpetuação do pecador levá-nos inevitávelmente à perpetuação do pecado. Deve-se lembrar que é um argumento cumulativo e que a colaboração de vários fatores encaminha-nos para a afirmação de que o aniquilacionismo é uma visão mais plausível do que a visão tradicional do Juízo divino.
1. Deus ao punir os maus tem em vista um mundo moralmente perfeito;
2. A imortalidade dos pecadores implica na perpetuação da imoralidade e em um mundo moralmente imperfeito;
4. O aniquilacionismo não implica necessariamente em ausência de punição e não é em nada inferior ao imortalismo;
5. O aniquilacionismo implica em um mundo moralmente perfeito e é superior ao imortalismo;
6. O imortalismo é falso e o aniquilacionismo é a melhor explicação para o Juízo Final.
1. A Moral cristã implica na crença de que Deus tem em mente que Sua Criação deve ser moralmente responsável e moralmente perfeita;
2. O tormento eterno implica na existência de uma Criação moralmente responsável, mas não moralmente perfeita.
3. O aniquilacionismo implica na existência de uma Criação moralmente responsável e moralmente perfeita.
1. Um mundo onde o mal não existe é melhor do que um mundo onde o mal existe, exceto quando um mal é necessário para um bem ainda maior;
2. A existência do mal moral no mundo é filosoficamente justificada pela existência de um livre-arbítrio;
3. O livre-arbítrio não é filosoficamente uma justificativa suficiente para a eternidade do mal moral.
1. Existe uma lei que cerca o mundo que determina o que é e o que não é perfeito e que tem por finalidade criar um mundo moralmente perfeito;
2. O mundo em que vivemos é moralmente imperfeito porquê não está de acordo com os princípios originais de um Deus Perfeito;
3. Este Deus Perfeito prega que criará um mundo moralmente perfeito e considerando que Ele é Perfeito em compreensão e poder temos boas razões para acreditar n'Ele;
4. Se o pecador for atormentado eternamente, o pecado será perpetuado e o mundo não será moralmente perfeito mesmo que Deus tenha a eternidade feliz para os salvos;
5. Sendo a Lei de Deus perfeita deve ser imutável e não pode em certo momento ver o pecado como algo que deve ser exterminado e em outro eternizá-lo para promover o sofrimento;
7. O sofrimento não é a única, nem mesmo a melhor forma de punição;
8. A única forma de exterminar o pecado é não havendo mais quem o pratique;
9. O pecado pode ser extinguido do mundo através da conversão de um pecador e em um último caso destruindo-o para sempre;
10. A doutrina do tormento eterno não pode ser racionalmente conciliada com a doutrina de um Deus moralmente Perfeito porque um Deus moralmente Perfeito não pode tolerar a perpetuação da imoralidade.
Com os argumentos acima eu quero primeiramente afirmar que o tormento eterno dos maus implica no imortalismo universal e que o imortalismo universal implica na perpetuação do mal no mundo, inclusive a perpetuação do pecado. Em segundo lugar, eu creio que a alegação de que Deus não pode tolerar a perpetuação injustificada da imoralidade (que é algo moralmente errado) no mínimo razoável. Também me parece que Deus ao criar o homem teve o interesse em criar um mundo como uma descrição de Seu caráter e que isto não inclui apenas um mundo com seres que possuem uma responsabilidade moral, mas que também são moralmente perfeitos tendo assim que negar um forçado universalismo e o próprio imortalismo tradicional.
Sendo Deus um Ser universal não creio que possa limitar-se a um regionalismo promovendo a "suprema santidade" no céu e largando um "inferno" ao pecado. Isto O faria igual à uma dona de casa que fingindo varrer a casa esconde a sujeira embaixo do tapete, onde ninguém vê.
É importante desfazer um mal entendido no meio cristão. Caso alguém afirme que as pessoas condenadas estarão tão assombradas com o seu fim que não mais estarão possibilitadas de pecar e prolongar a imoralidade digo que não devemos restringir o pecado as práticas que envolvam ações mais elaboradas já que pode-se pecar com simples pensamentos e que a definição de pecador aqui tratada não é "aquele que peca", mas "aquele que está manchado pelo pecado".
Tratarei futuramente de possíveis problemas que envolvem a minha teoria.
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Como Jesus Deve Ser o Nosso Modelo?
A maioria cristã crê sabiamente que toda a sua vida deve ter por base o modelo apresentado por Jesus. Muito sobre Jesus podemos saber através dos Evangelhos. Mas geralmente não pensamos em "qual sentido" Cristo deve ser o nosso modelo.
A maior parte dos valores propostos pela Bíblia não passam de valores humanos herdados e incorporados com o passar do tempo pela cultura judaico-cristã. Jesus é a mais clara luz de sobriedade das Sagradas Escrituras por Ser o próprio Deus encarnado.
A questão porém, não se limita apenas ao "o que é o que Jesus fez", mas se prolonga ao "o que é que Jesus faria" já que ele estava introduzido em um contexto histórico diferente e devido a Sua missão gozava de um limitado conhecimento do mundo que o cercava.
Esta indagação pode levar-nos a termos respostas que jamais imagináriamos possuir. Jesus, assim como nós não possuia o conhecimento de todos os mistérios do mundo e possívelmente cria em vários mitos de sua época.
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domingo, 26 de dezembro de 2010
Uma Parábola Materialista
Imagine que você em uma de suas viagens de férias tenha com muito trabalho conseguido subir uma montanha e avistar o por-do-sol e toda a bela campina ao redor. De repente, um homem bem vestido se aproxima de você e diz friamente:
- O que você está esperando para se jogar lá embaixo?
- Me jogar? Por que deveria?
- Bem, a vida não possui nenhum significado objetivo. Tudo, até mesmo a beleza que o mundo aparenta é uma simples ilusão, ora!!
- E se ela possuir algum significado, afinal?
- Se ela tiver um significado Deus teria que existir, mas como a modernidade tem nos revelado, Ele não existe.
- E minha esposa e meus filhos?
- São um engano emocional...
- Mas, se a vida não tem nenhum significado que diferença há entre pular e não pular e crer ou não crer em Deus?
- Nenhuma, talvez... mas certamente seria algo mais coerente.
- Por que você não pula, então?
- Eu creio que tenho uma missão de popularizar o conhecimento de que a vida não tem sentido e que por isto todos deveriam se lançar daqui. Tenho feito palestras e escrito livros muito apreciados com tal finalidade.
- O conhecimento, pelo que você demonstra, parece revelar um significado para a existência. Temos um dever para com a verdade? Teria isto alguma relação com tal significado?
- Eu já disse que a vida não pode ter um significado porque Deus não existe! Esta é a verdade nua e crua!! Aceite este fato!! Esta é a verdade!!
- Desculpe, mas você tem exagerado no café, amigo. Pois não tem sido nenhum pouco coerente. Se a vida não tem sentido você não pode ter uma missão de dedicar-se a pregar isso.
- Não importa. Nada é coerente!! Pule!!
Para mim, o discurso ateísta poderia ser resumido desta simples maneira mostrada acima. Pessoas tentando provar que a vida não possui nenhum significado, mas que não crêem verdadeiramente em sua pregação. Ninguém vai me convencer a me jogar do penhasco com este tipo de argumentação.
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- O que você está esperando para se jogar lá embaixo?
- Me jogar? Por que deveria?
- Bem, a vida não possui nenhum significado objetivo. Tudo, até mesmo a beleza que o mundo aparenta é uma simples ilusão, ora!!
- E se ela possuir algum significado, afinal?
- Se ela tiver um significado Deus teria que existir, mas como a modernidade tem nos revelado, Ele não existe.
- E minha esposa e meus filhos?
- São um engano emocional...
- Mas, se a vida não tem nenhum significado que diferença há entre pular e não pular e crer ou não crer em Deus?
- Nenhuma, talvez... mas certamente seria algo mais coerente.
- Por que você não pula, então?
- Eu creio que tenho uma missão de popularizar o conhecimento de que a vida não tem sentido e que por isto todos deveriam se lançar daqui. Tenho feito palestras e escrito livros muito apreciados com tal finalidade.
- O conhecimento, pelo que você demonstra, parece revelar um significado para a existência. Temos um dever para com a verdade? Teria isto alguma relação com tal significado?
- Eu já disse que a vida não pode ter um significado porque Deus não existe! Esta é a verdade nua e crua!! Aceite este fato!! Esta é a verdade!!
- Desculpe, mas você tem exagerado no café, amigo. Pois não tem sido nenhum pouco coerente. Se a vida não tem sentido você não pode ter uma missão de dedicar-se a pregar isso.
- Não importa. Nada é coerente!! Pule!!
Para mim, o discurso ateísta poderia ser resumido desta simples maneira mostrada acima. Pessoas tentando provar que a vida não possui nenhum significado, mas que não crêem verdadeiramente em sua pregação. Ninguém vai me convencer a me jogar do penhasco com este tipo de argumentação.
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Teologia Moderna e a "Heresiologia"
A meu ver a postura adotada pela maioria esmagadora dos teólogos é totalmente inconsistente quando o que se está em questão é a divergência de crenças.
Embora seja aniquilaionista, creia na doutrina da Trindade e na possibilidade de um livre-arbítrio não fico indignado com demais grupos simplesmente porque eles pensam sobre determinada questão diferentemente de mim ou do grupo do qual faço parte.
Muito longe passa de mim a idéia de que algumas destas divergências comprometem inquestionavelmente a salvação ou a espiritualidade de um indivíduo. Nem tento fingir que já manejamos facilmente questões ainda não inteiramente resolvidas na jornada da fé.
Na definição moderna "heresia" pode ser entendida como crença estranha ou não compartilhada. Não creio que grupos "heréticos" não devam levar crédito em suas doutrinas e cosmovisões simplesmente porque são "heréticos". Os "hereges" nem sempre são hereges. Muitas vezes os "hereges" são doutores.
Geralmente temos acompanhado eruditos com muita eloquência demonstrando biblicamente que outros estão errados, mas totalmente incapazes de demonstrar biblicamente que algumas destas divergências são relevantes do ponto de vista social.
A grande pedra em nosso caminho intelectual e social deve ser retirada, heresia da intolerância e do desamor ao próximo. Odium theologicum muitas vezes descenessário.
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Como Explicar os Exorcismos de Jesus Se o Diabo não existe?
2. Os demônios não existem;
3. Jesus possuia simultaneamente uma natureza humana e outra divina;
4. Jesus em sua natureza divina é onisciente;
5. A natureza humana de Jesus lhe concedia um conhecimento limitado do mundo;
6. A crença de Jesus em demônios se baseava em sua natureza humana limitada;
7. As crenças de que Jesus é divino e a de que os demônios não existem podem ser satisfatóriamente conciliadas devido à sua dupla natureza.
Acerca da Busca Pela Verdade
"O homem é visívelmente feito para pensar; e toda a sua dignidade e todo o seu mérito; e todo o seu dever consistem em pensar corretamente."
"A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto reside o princípio da moral."
Blaise Pascal
Tanto teistas quanto ateistas dizem estar à procura da verdade. Um grupo diz estar com esta verdade e outro grupo diz possuí-la. A questão é que todos afirmam que temos um dever para com a realidade. Para ser mais claro, todos afirmam que temos um dever para com a verdade. Isto está tão escancarado na nossa sociedade que geralmente alguns pensadores ateistas nos jogam goela abaixo o "fato" de que Deus não existe e de que a crença religiosa como um todo não passa de mera fragilidade emocional, social e intelectual como se houvesse uma lei natural que nos obrigasse a reconhecer o contrário.
O problema do ateismo a meu ver é que ele aniquila todo o valor que o conhecimento ocupa na mente do homem desde a sua origem. Se Deus não existe valores morais objetivos não existem e nós não temos nenhum dever para com a verdade. Sendo assim, mesmo que o ateismo seja verdadeiro nada me faria me sentir obrigado moralmente a reconhecê-lo como tal, pois mesmo que teistas lutassem contra todas as evidências por sua crença não poderia conceber tal ato como menos nobre ou desonesto. Idéias como "você deve ser corajoso e viver destemidamente sem estas bengalas" ou "você não está sendo homem" ou até mesmo "você não está sendo forte" não surtiriam para mim qualquer efeito. O que significaria ser "forte", ou ser "corajoso" neste caso?
O problema do ateismo é que ele mesmo sendo verdadeiro não nos torna moralmente obrigados a reconhecê-lo como tal. O ateismo militante, por assim dizer, é um grande delírio.
Apartir do momento em que não cremos ter um dever para com a verdade não há sentido em se filosofar sobre ela ou sobre qualquer outra coisa. Não há sentido em se perguntar "quid est veritas?" quando não há nenhum valor na verdade.
O cético somente é cético porque acredita que a razão básica de um homem é a busca pela tão frágil verdade, tenta assim protegê-la dos mitos e mentiras que possam corrompê-la.
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"A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto reside o princípio da moral."
Blaise Pascal
Tanto teistas quanto ateistas dizem estar à procura da verdade. Um grupo diz estar com esta verdade e outro grupo diz possuí-la. A questão é que todos afirmam que temos um dever para com a realidade. Para ser mais claro, todos afirmam que temos um dever para com a verdade. Isto está tão escancarado na nossa sociedade que geralmente alguns pensadores ateistas nos jogam goela abaixo o "fato" de que Deus não existe e de que a crença religiosa como um todo não passa de mera fragilidade emocional, social e intelectual como se houvesse uma lei natural que nos obrigasse a reconhecer o contrário.
O problema do ateismo a meu ver é que ele aniquila todo o valor que o conhecimento ocupa na mente do homem desde a sua origem. Se Deus não existe valores morais objetivos não existem e nós não temos nenhum dever para com a verdade. Sendo assim, mesmo que o ateismo seja verdadeiro nada me faria me sentir obrigado moralmente a reconhecê-lo como tal, pois mesmo que teistas lutassem contra todas as evidências por sua crença não poderia conceber tal ato como menos nobre ou desonesto. Idéias como "você deve ser corajoso e viver destemidamente sem estas bengalas" ou "você não está sendo homem" ou até mesmo "você não está sendo forte" não surtiriam para mim qualquer efeito. O que significaria ser "forte", ou ser "corajoso" neste caso?
O problema do ateismo é que ele mesmo sendo verdadeiro não nos torna moralmente obrigados a reconhecê-lo como tal. O ateismo militante, por assim dizer, é um grande delírio.
Apartir do momento em que não cremos ter um dever para com a verdade não há sentido em se filosofar sobre ela ou sobre qualquer outra coisa. Não há sentido em se perguntar "quid est veritas?" quando não há nenhum valor na verdade.
O cético somente é cético porque acredita que a razão básica de um homem é a busca pela tão frágil verdade, tenta assim protegê-la dos mitos e mentiras que possam corrompê-la.
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